Entrando na primeira parte da coluna passada, de que em função da quarentena está sobrando tempo, tem sido muitos (muitos mesmo)os relatos dessa introspecção e reflexão. São fotos de pôr do sol, de paisagens pela janela, de jardins ou vasos sendo cuidados, de pratos de comida cuidadosamente preparados, vídeos dando dicas de livros, séries e por aí vai.
Então, em especial para quem mora sozinho, o momento é de introspecção, ainda que forçada. Nesses espaços se tempo e também vivendo no mesmo ambiente por muitos e muitos dias seguidos, inevitavelmente as pessoas se põem a refletir. Some-se a isso o fato de as coisas estarem incertas. Prato cheio.
Em parte isso é ótimo. Ver coisas que não se via mais, ou mesmo que nunca tinham sido vistas, experimentar pequenas experiências, pensar bastante, apesar de o outro lado também ser verdade(do aumento da demanda por reuniões virtuais). Pensar muito. E pensar eventualmente até na sua condição no mundo. Dependendo do perfil de cada um, dá pra ir longe. Tem gente indo, outros menos.
Por outro lado, exatamente por isso as pessoas estão mais angustiadas ou deprimidas. Fazem essa reflexão e dependendo do resultado, podem estar achando que o saldo não foi positivo. Ou que caminharam na direção errada, com as pessoas erradas, as possibilidades são grandes. E de novo, o medo do futuro. Já tem a máxima de que todos terminaremos a quarentena com 10kg a mais.
Quem é meu leitor já deve estar antevendo o que vou dizer agora: pra tudo, equilíbrio. Mesmo que o saldo tenha sido negativo até agora e independente da idade, dá pra escrever um novo trecho. Isso sempre dá e é incontestável. Mesmo que as variáveis não estejam favoráveis e que o clima lá fora esteja feio, a construção começa dentro de casa um. E cada pessoa tem seu método para reescrever. Alguns meditam, outros fazem vagar os pensamentos, alguns conversam com alguém quando é possível, outros ouvem música, outros plantam, cozinham , se exercitam. Muitas são as possibilidades. Ontem ainda conversava com uma amiga que entendeu que por manter a positividade mesmo nesse cenário (o gasto de energia é o mesmo tanto para irmos para um lado quanto para o outro, então…) eu estaria alienado. Absolutamente. E tenho as mesmas preocupações que todos, senão até maiores. Mas a única diferença entre eu ficar totalmente angustiado ou pessimista e tentar manter o otimismo possível (o possível, dadas as circunstâncias) vai ser meu estado de espírito e talvez eu não enxergar alguma alternativa. Então, tento escolher. Escolha você também.

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