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Aos poucos, coisas vão acontecendo

Por Flavio Paiva

 Com a esmagadora maioria das pessoas ainda um tanto perdida, ansiosa ou com conhecimentos insuficientes, coisas vão acontecendo. Estão aprendendo na marra a como se mover (dentro do que é possível fazer no momento) neste novo e caótico cenário.

 Assim, desde lives que estão acontecendo em enorme quantidade (sejam de profissionais de negócios a artistas), passando pela simples contratação de um plano de banda larga de mais capacidade para o seu home office, até a meio ainda desajeitada e perdida etiqueta social, chegando à economia.

 Claro que há inúmeras restrições. Mas com a capacidade darwiniana da adaptabilidade, o ser humano vai lançando mão do que o fez importante. Justamente esta adaptabilidade. Não posso ir por ali? Vou por lá? Não posso sair muito às ruas para fazer exercício? As academias e profissionais de educação física estão disponibilizando lives e aulas com exercícios para fazer em casa.

 Uma coisa que tenho certeza de que faz parte do pensamento de todos é justamente essa: como me adapto a esse novo cenário econômico, já que temos inúmeras restrições governamentais, como me torno efetivamente útil e de preferência indispensável? Porque estamos precisando dos indispensáveis nesse momento. Além dos líderes, que são poucos para esta situação (e já o eram antes dela). Mas profissionalmente, o que uma empresa pode (não falo deve porque não enxergamos ainda o que deve ser feito, mas o que pode ser feito) fazer para manter-se relevante, atuante e tendo lucratividade (desde que seu setor não esteja totalmente bloqueado, mas ainda assim há a comunicação, formas de relacionamento com seu público, etc)?

 Na verdade, são duas skills as mais demandadas, a adaptabilidade e a criatividade para encontrar alternativas. Isto que tanto líderes quanto colaboradores estão precisando. E de muito, muito trabalho em conjunto, muita parceria e o entendimento que estamos todos no mesmo barco e se ele afundar, todos nos afogamos.

 Uma outra questão fundamental nesse momento é que volta e meia cito aqui é o autocontrole, o controle sobre a ansiedade. O momento requer em alta dose. Porque ele é incerto e não sabido.

 Aos poucos, algumas prefeituras e mesmo o governo do estado do Rio Grande do Sul (e de outros estados e países) começa a flexibilizar as restrições, para evitar o colapso da economia. Mas como fazer isso sem colocar em risco a saúde? Esta é outra grande equação de difícil resposta. Vai ser preciso equilíbrio, bom senso e muita, muita ciência, medicina, estrutura.

 Então, segue aqui a minha ideia, que adotei para mim: sem entrar em ansiedade por não ter a resposta imediata (porque ela é muito difícil de obter nesse momento), procure ser muito relevante. E na verdade, isso não serve só para a atividade profissional. Ser relevante ali é importante para que se mantenha importante no ecossistema e portanto, conseguindo obter recursos para si.

 Já relevância junto aos demais, como cidadão, pode acontecer de várias formas: iniciativas de solidariedade (arrecadação de alimentos, valores, apoios virtuais) até relevância dentro da família e àqueles mais próximos, sendo um parceiro, alguém com quem se possa contar não apenas do ponto de vista mais operacional, mas do ponto de vista emocional, que é o que as pessoas estão precisando mais.

 Claro, o limite dessa ajuda emocional é o de cada um. Não pode ela tornar-se um fardo de tal forma que acabe você em péssimas condições emocionais, sobrecarregado, estressado ou algo assim. Mas este limite é extremamente variável de pessoa para pessoa, portanto não posso aqui tentar precisar.

 E se for possível, manter-se positivo. Doido? Alienado? Inconsciente? De jeito nenhum! Mas procurar enxergar que sim, há futuro. Não sabemos como vai ser? Não. O grau de dificuldade que vai ter? Também não sabemos. Mas apesar de tudo, em primeiro lugar entender o ensinamento, o aprendizado dessa jornada. E depois, saber que se conseguir manter-se forte e positivo, estará servindo praticamente de pilar para muita gente, pois isso acaba sendo irradiado. Houve crescimento (ou lançamento, como do The New York Times, há um tempo) explosivo de canais no Youtube, podcasts, etc, que trazem exclusivamente ou boas notícias ou tratam temas que não envolvam o Coronavírus, água no deserto. As pessoas buscam angustiadamente um alívio, uma outra forma de ver as coisas ou um momento de sossego.

 Então, uma das formas importantes de colaborar nesse momento é procurar fazer o que descrevi acima. Se não conseguir ser positivo (o que não é tarefa nada fácil, reconheço), que tente ficar tranquilo. As coisas acontecerão e assim como tempos difíceis virão, coisas muito boas também acontecerão. Daí de novo e fechando com o início, a capacidade de o ser humano se adaptar às circunstâncias, sejam elas quais forem. 

Autor

Flavio Paiva

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