A velha máxima de que temos uma só boca e dois ouvidos para escutar mais e não falar tanto, nunca foi tão atual. Sempre, como seres que tendem a ser egocentrados e portanto querer fazer valer nosso ponto de vista e até por necessidade emocional que nos ouçam, sempre foi verdadeira.
Até que veio o Coronavirus que fez algo bastante radical e prático: nos obrigou a usar máscara, que deixa somente os olhos e, que ironia, os ouvidos de fora mas não é só isso: não existe máscara que torne realmente fácil, confortável e principalmente inteligível a tarefa de falar. Então, até pela dificuldade de falarmos e sermos entendidos, acabamos ouvindo mais.
Uma experiência radical (Coronavirus) causando outra experiência radical: falar mais, escutar menos.
Por quanto tempo as máscaras serão necessárias? Não se tem a menor ideia, mas tenho a impressão de que ainda por um tempo, até por cautela também. Então, nesse período vamos aprender forçosamente a ouvir (e também ver) mais. E falar mais também. Incômodo necessario as máscaras? Certo que sim. Mas o incômodo maior talvez não esteja em usa-la no rosto, mas ter um novo mindset “escutativo”. É uma mudança de séculos, que por séculos ocorreu dessa forma(falar mais, escutar menos). Portanto, alguns meses ou até anos talvez não sejam suficientes. Veremos. Mas é uma imersão, isso é.
O desespero da fala por detrás de uma máscara vai continuar por um tempo, isso é certo. Mas foi suficiente um minúsculo organismo(ainda que poderoso) para subverter a ordem das coisas.
Então, aproveitemos. Entremos de cabeça. Façamos a escuta ativa, que é tanto efetivamente escutar e não só ouvir, como fazer de forma empática e ativamente, fazendo algo com essa escuta. Gerando ações. Experimente.

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