Entrando no novo normal pós pandemia, é interessante pensar o que hoje está acontecendo que permanece e o que acaba saindo. Me propus a fazer alguns exercícios nesta direção.
Idealmente, ficam fortalecidos os laços entre as pessoas. Há uma tendência natural do ser humano em ficar unido (e depois permanecer, embora não tanto) em momentos tão áridos. Especialmente quando começam a se prolongar (e não sabemos até quando), com um inimigo comum e que é afinal uma ameaça desconhecida.
Além disso, pelo impacto econômico que está ocorrendo, com pessoas perdendo seus empregos ou fontes de renda, cidadãos estão se unindo em prol desses, seja na forma de contribuições como cestas básicas, oferecer moradia para dividir, cuidar de idosos, prestar apoio psicológico(que é um dos mais necessários nesse momento), enfim, inúmeras formas. Quem passa por isso juntos tende a não esquecer mais. E mesmo que a vida depois entre num ritmo de maior normalidade, este vínculo está feito e é quase inquebrável.
Saem coisas como um consumo exagerado(ainda que em um primeiro momento pós pandemia possa haver uma bolha de consumo, mas será uma bolha), com uma tendência (exagerando um pouco nas tintas) até ao minimalismo. Vimos que coisas básicas como abraçar, conversar sem máscara (nos dois sentidos da coisa), estar juntos, cortar o cabelo, são muito, mas muito importantes.
O consumo exagerado tende a ser questionado, na verdade. Porque se a memória não for curta, as pessoas lembrarão de afinal pra que tudo isso? Precisamos de consumo? Sim. Gostamos de consumo? Sim. Mas como diz a música, nada será como antes.
Outro importante serão as marcas. Os consumidores estão vendo as suas ações nesse momento. Qual o posicionamento destas, suas atitudes, se estão cooperando para minimizar o sofrimento, como estão tratando colaboradores, como estão se reinventando, qual a sua filosofia e valores e se esses estão realmente sendo postos em prática e não apenas constam em manuais que com a pandemia rapidamente podem envelhecer -e muito.
Nunca estivemos em um cenário e mundo tão líquidos como agora. Nunca as coisas foram tão instáveis, incertas e difíceis de prever, além dessa ameaça constante do próprio Coronavirus, que não conhecemos em toda a sua extensão e potencial de dano. O mundo se reorganizam um pouco e se desorganiza outro tanto e bastante ao longo das horas do dia. Isso não permanecerá. Mas quem suportar, conseguir manter a resiliência e o mínimo(quando falo o mínimo, é o mínimo mesmo) de saúde mental, estará capacitado para o que vem por aí.

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