Colunas

Pensamento Infinito

Por Flavio Paiva

Iniciei a leitura do “O Jogo Infinito”, de Simon Sinek. E bem no início do livro ele fala em pensamento infinito, um conceito que diz respeito a colaborações, individuais ou coletivas, em questões não porque receberemos um bônus de final de ano ou coisa semelhante, mas porque estamos em uma colaboração coletiva, em torno da qual todos(os envolvidos no projeto ou questão) também estão, motivados pela causa. Mas causa aqui não necessariamente a ser contra desmatamento na Amazônia ou coisas assim. A causa aqui é um objetivo que não sabemos quando chegará, quando terá seu fim. E seguimos em frente, todos os envolvidos, contribuindo da melhor forma.

Algo semelhante é o lifelong learning, a ideia de aprendermos por toda a vida. Aqui, podemos estar movidos tanto pela necessidade profissional quanto por questões pessoais, interesses que não tenham vinculação direta com a atividade profissional que exercemos. É também uma espécie de pensamento infinito, porque não sabemos quando será seu fim. Na verdade, já partimos com a ideia clara de que não haverá fim ao longo da vida, por isso minha ideia da relação com pensamento infinito.  Algo que somos movidos a fazer por um objetivo maior, sem enxergar claramente seu horizonte.

Mais uma relação ainda pode se dar com a Humanidade x Covid-19 e sua vacina. Todos estão mobilizados(claro que nem todos são cientistas, os verdadeiros responsáveis pelo desenvolvimento de vacina) pela cura dessa mesma Humanidade. Inteira. Apenas isso. Então mesmo aqueles que não estão trabalhando na linha de frente no desenvolvimento de medicamentos e vacinas estão voltados para esse tema, pois impacta de forma decisiva em suas vidas. Assim é que a grande maioria da população mundial colaborará de alguma forma para que isso aconteça, excetuando-se alguns poucos casos de pessoas contrárias, descrentes ou com promessas de curas milagrosas, literalmente.

Mas há um pensamento direcionado e nesse caso infinito, pois ainda não enxergamos a linha de chegada. Só que há aqui o elemento comum que é a causa e ainda um outro elemento fundamental: no caso da cura da vacina, claro que existe um verdadeiro temor pela população de ser atingida(aqueles que ainda não foram) e muito medo desse inimigo em grande parte ainda desconhecido. Então, aqui o impulso é o medo. Mas a ideia de infinito segue valendo.

Resumindo e para finalizar, a questão infinita(o conceito de infinito não foi trazido por Simon Sinek, já é muito anterior a ele) perpassa vários momentos e situações de nossas vidas e história. Claro que em maior ou menor grau. Agora, para usar um exemplo mais comum, existem os praticantes de academia que fazem com essa promessa infinita de uma melhoria da saúde em geral, da forma física, etc, há aqueles que simplesmente consideram a academia o infinito e aí mesmo que não frequentam(mas se matriculam!) e existem aqueles que traçam um objetivo com horizonte bem claro: chega à forma da pessoa X em tanto tempo, e então fazem de tudo(tudo mesmo) para que isso aconteça.

Tirando essa pequena brincadeira, entendo que a ideia de pensamento infinito é extremamente rica, talvez até nobre, mas de bem difícil adoção e implementação.  Uma de duas(ou as duas) coisas são necessárias: enxergar numa causa algo que mobilize internamente, tentar contribuir com uma comunidade ou ambas. Não é simples adotarmos esse conceito, nós que sempre estivemos agindo e fomos educados para, ao final de cada ação, ter algum tipo de benefício, seja ele qual for. É preciso entendimento, dedicação e sim, muito esforço.

Autor

Flavio Paiva

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.