Recentemente, o Corinthians e o laboratório Neo Química divulgaram acordo de naming rights de 20 anos no valor de R$ 300 milhões. Foi divulgado, incensado e virou assunto entre alguns. Pois é. Aparentemente, seria um ótimo contrato, porque é um investimento de uma empresa ligada à área da saúde (que é, afinal, algo que está intimamente ligado ao esporte e seus jogadores), além de a empresa já ter tido o ex-jogador Ronaldo Nazário como seu garoto-propaganda (ele, que jogou no Corinthians).
Além disso, houve algumas declarações de torcedores mais ligados ao clube, no sentido de que se fossem comprar um remédio genérico (especialidade da Neo Química), acabariam por escolher o laboratório. Pois tirando um grupo de mais exaltados, esta adesão não se dá de forma tão direta assim, não. Requer muita ação de ativação e de comunicação, de tal forma a fortalecer o vínculo emocional e de saúde do clube, atletas e torcedores.
Ou seja, o que eu quero dizer é que não basta dizer que fez o acordo de naming rights. Primeira informação: o veículo que for transmitir (peguemos a Globo como exemplo), vai chamar de Arena Neo Química ou vetará (como já fez com outros acordos de naming rights, por sua política comercial), chamando somente de Arena Corinthians?
Indo mais adiante: qual a faixa de torcedores que realmente vai chamar a Arena assim? Porque houve um problema fundamental nesse acordo de naming rights. O tempo decorrido da inauguração até o anúncio do parceiro foi muito longo. Nesses anos, os torcedores se acostumaram a chamar a Arena Corinthians de Arena Corinthians.
Será preciso muito esforço de comunicação e marketing para tirar da memória dos torcedores o nome Arena Corinthians da mente de torcedores, jornalistas, comunidade em geral. E mais do que isso, uma justificativa, um propósito para que isso aconteça nesse momento. De novo, uma parcela de torcedores talvez chame assim (eu disse talvez) porque entende que “ajuda o clube”, apesar de não saber exatamente como, se esse valor é recebido integralmente em dinheiro e mais do que isso, a que será destinado.
Mais do que isso, considerando conquistas de títulos que possam ter ocorrido, vitórias memoráveis na Arena Corinthians dificultam ainda mais que os torcedores digam “Lembra daquele golaço na Arena Neoquímica(quando foi na Arena Corinthians)?
Posso também depor mais localmente, pois o Grêmio recentemente inaugurou a sua Arena do Grêmio. A grande maioria chama simplesmente de Arena, não mais do que isso. Talvez chamar somente pelo primeiro nome facilite um pouco para o torcedor colocar um sobrenome de um patrocinador. Mas ainda assim, a tendência de o torcedor dizer: foi lá na Arena, lembra? É grande
Então, é preciso analisar com calma e cautela acordos como esse. Se seus desdobramentos serão mesmo tão positivos quanto divulgados numa coletiva de imprensa. Além disso, outro fator: o investimento foi feito levando em conta um planejamento de fortalecimento de marca, de criação de maior identidade e vínculo com a torcida? Ou foi porque o presidente da Neoquímica ou seus diretores são corintianos roxos?
Se isso aconteceu, os critérios e até mesmo o planejamento de ações previstas para a potencialidade de exploração de oportunidades que o patrocínio de um clube de futebol proporcionam, foi mínimo. Ou ainda do tempo em que “eu quero é marca na camiseta”. Então, essas são algumas das variáveis que devem ser levadas em conta na hora de avaliar contratos entre empresas e clubes de futebol. Caso contrário, pode ser um movimento que mesmo envolvendo milhões no futebol, é feito de forma amadora e passional, sempre um risco.


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