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O que a quarentena nos permitiu viver já deixa saudade

Por Grazi Araujo

Eu sabia que chegaria a hora de voltar, mesmo que aos poucos, à rotina profissional fora do home office. Senti muito a falta do dia-a-dia de pautas, de reuniões, textos, fotos e tudo mais que a minha profissão traz na bagagem com tanto dinamismo. Fiquei dias sem passar lápis e rímel nos olhos, sem colocar um sapato fechado que não fosse tênis e sem conversar olho no olho com muita gente. Enquanto isso, fui mãe e esposa como nunca antes tinha sido na vida, cozinhei dias seguidos durante todas as refeições, andava com o celular numa mão e a vassoura na outra, trabalhando e tentando organizar a casa ao mesmo tempo. Deu super certo. Me adaptei melhor do que imaginei, mesmo sentindo falta da “vida normal” pré-pandemia.

Eis que chegou setembro e com ele a necessidade de idas presenciais ao trabalho. Junto, uma surpresa: a necessidade de readaptação. Não me refiro ao ofício, pois esse flui naturalmente quando o trabalho é um prazer. Eu preciso é me (re) acostumar a não ser tudo junto ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Eu já tô com saudade de ouvir “manhêêêêê” incontáveis vezes por dia, de organizar com calma cada cantinho da casa, de tomar café com o marido escutando uma música boa. Sempre sonhei em ter mais tempo pra mim, pra eles, pra nós. Assim como sempre amei sair de casa de manhã para trabalhar e chegar no final do dia grata por todo aprendizado. Como faz agora? A pandemia nos tirou muita coisa, mas nos acrescentou tantas outras.

Tem coisas que não vão mudar, têm outras que nunca mais serão como antes. A liberdade de trabalhar sem hora marcada talvez beire a utopia, assim como permitir que o sono chegue quando quiser e acabe sem o despertador na cabeceira da cama. Uma comidinha caseira não tem preço, assim como acompanhar de pertinho o aprendizado escolar do meu guri no alto dos seus 9 anos. Pude conhecer melhor o aluno que estamos criando para o mundo, corrigir pontos de comportamento que antes eram repassados apenas sob o olhar da escola, ensinar que a organização das matérias é dever dele e que isso não é trabalhoso. Levei café na cama, mandei escovar os dentes todas as vezes e ralhei quando o celular hipnotizava aqueles olhinhos brilhantes diante de uma tela. Valorizei ainda mais cada refeição com a família reunida, levei um pouquinho de casa para cada reunião por vídeo com aparições de um abraço de filho no meio ou do marido passando no fundo. Dividi meu tempo conforme a necessidade de cada dia, agradecendo a cada novo amanhecer. E agora estou aqui, escrevendo sobre algo que se tornou tão natural e que já deixa saudades.

Autor

ond@web

Repórter especial

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