Três histórias inspiradas em fatos reais
1. Os piscineiros
Aos 16 anos, Guita teve um sonho perturbador. Sonhou que conseguira construir na casa da praia uma piscina de águas azuis e quem fizera a obra foram dois rapagões, que trabalhavam só de bermuda, sem camisa, tostados pelo sol litorâneo. A imaginação da moçoila viajou nas relações com os dois operários.
Vinte anos depois, com Guita ainda em boa forma apesar da passagem do calendário, o sonho poderia se concretizar. A piscina encomendada estava pronta e fora construída por dois rapazes, como imaginara no sonho. Só que…
– Olha, eram uns guris de bom porte, mas quando abriam a boca faltavam dentes e do que diziam nada se aproveitava, além dos detalhes da construção. Assim ficou difícil ser feliz.
E Guita voltou a sonhar, porque era bem mais prazeroso do que a realidade obreira.
2. Diálogo impertinente
Na rede social:
– Oi.
– Olá.
– Tudo bem?
– Tudo.
– Me chama no meu Zap (…)
– Pra quê?
– Lá vou te apresentar meu trabalho. Vamos ver se vc se interessa.
– Que tipo de trabalho?
– Eu vendo vídeos e fotos minhas. Sensuais…
– Não tenho interesse.
– Na vdd eu queria sair disso. Queria um companheiro.
– Minha faixa etária não combina com a tua.
– E daí? Eu não quero um novinho, que só quer sexo. Quero um homem maduro, responsável.
– Conheço um local onde tem um monte. Ali onde jogam dama na Praça da Alfândega.
– Vc é muito mau educado, ridículo, grosso.
3. O Vaidoso
O consagrado escritor, tão talentoso quanto vaidoso, encontra em meio a praça o amigo incauto e depois da saudação inicial, passa a orgulhar-se dos seus feitos literários.
– Meu último livro vai ser traduzido em mais três países. Agora já são cinco versões no exterior. Não é pouca coisa para um escritor da província. O romance foi muito bem recebido pela crítica e até já tenho propostas para que vire filme ou minissérie. Olha, acho que mais uma vez acertei a mão. A história é realmente interessante, mais do que isso, instigante. Os livros anteriores também tiverem ótima aceitação de público e de crítica, inclusive o de poesias, com meus sonetos preferidos. Penso que chegou a hora de pleitear uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Não me tomes por vaidoso, mas acho que já mereço ser um imortal!
A conversa seguiu unilateral por mais um tempo, até que o nosso personagem se deu conta de que estava diante do que deveria ser um interlocutor. Aí fez uma pausa e disparou:
-Bah, já falei demais. Gostaria de te ouvir também. Então, me diz: o que achas da minha obra. Seja sincero.


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