Meu guri, no alto dos seus nove anos, reclama cada vez que o YouTube coloca um anúncio no meio do vídeo. O do início, ele já acostumou mas não passa daqueles segundos que permite fechar a “janelinha”. Na tevê aberta, que ele quase não assiste, o intervalo comercial é sinônimo de distração, pois ele sequer presta atenção no que não é o programa que ele parou pra ver. É a geração Netflix, Amazon e por aí segue. Dia desses, o lançamento de um filme infantil estava exposto em outdoor dentro do jogo do videogame, compondo o gráfico do jogo. Isso sim prende a atenção dessa gurizada.
E nós? Que estávamos tão acostumados a esperar os lançamentos no intervalo do Fantástico, de decorar jingles e de brilhar os olhos com aquelas páginas duplas que eram constantes nos jornais? Confesso que essas ainda me pegam. Respeito meus cabelos brancos. Mas no digital, confesso que fui contagiada pela falta de paciência com o conteúdo que me colocam “goela abaixo” no meio daquilo que escolhi assistir/ler/ouvir. Eu tenho ido cada vez mais rápido para o “X” do fechar o anúncio. E aqueles que tapam o conteúdo, que saco! E o “push” que faz os olhos sempre se voltarem à notificação, esperando por uma notícia da hora e é conteúdo publicitário? Com perdão aos colegas que são responsáveis por isso, é um saco!
Meu texto de hoje é talvez mais um olhar de consumidora, mãe, usuária de apps e tudo que a tecnologia nos oferece. Mas não tem como não pensar em comunicação. Quanto esse tipo de publicidade prospera? Quanto se converte em vendas? Deve ter retorno, eu acredito, diante de tantas intromissões que aparecem ao longo do nosso dia a dia.
O mercado mudou, as redes vieram para acabar com classificados, baratear anúncios que eram caríssimos e tudo mais que estávamos tão acostumados a ter como propaganda tradicional. Foi preciso encontrar alternativas, replanejar, mudar a rota. Só vamos combinar que não dá pra ser inconveniente, atirar para todos os lados e tornar o comercial algo chato demais. As agências seguem fazendo lindamente o trabalho criativo, com todo o reconhecimento a todos estes profissionais, mas o fim precisa justificar os meios.


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