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As poderosas estratégias de marketing de Emily em Paris

Por Anelise Zanoni

Emily me pegou de jeito. A série americana Emily em Paris, produzida pela MTV Studios e lançada este mês na Netflix, já se transformou num dos assuntos mais comentados das redes e, quando percebi, maratonei 5 episódios em uma noite.

A série divide o público entre aqueles que a odeiam e os que a amam. As críticas vêm geralmente relacionadas à falta de profundidade do enredo, ao excesso de clichês ao retratar Paris, ao figurino de luxo da personagem e à soberba da americana que considera os Estados Unidos o centro do universo.

Das questões que se transformaram em assunto nas redes, poucas delas mexeram comigo. Mas fui fisgada por dois motivos: as memórias visuais que tenho de Paris e a sagacidade da personagem principal em pensar em estratégias de marketing criativas. Na verdade, foram justamente as cenas de Paris que me levaram até o seriado.

Ao maratonar os primeiros capítulos percebi que me encantei pelo que poucos analisam: a crítica e a reflexão sobre o uso das estratégias digitais dentro das empresas.

Na minha opinião, Emily é cafona. Embora vista peças de luxo, seu estilo destoa na  cidade que se orgulha pelo estilo francês minimalista de se vestir. A jovem também não fala francês, mas é esforçada.

Emily é ela mesma, tem vida própria e prova que seu estilo faz toda diferença. Por ser observadora do que está na sua volta, a personagem tem grandes ideias, se conecta com o mundo e transporta isso ao universo digital. 

A jovem encanta as pessoas porque as tira do lugar comum, quebra protocolos, pensa fora da caixa. Prova que ideias que parecem destrambelhadas podem fazer sucesso numa cidade cansada do “mais do mesmo”. Emily prova que, embora não queira ser uma influenciadora digital, consegue espaço neste mercado porque é autêntica e cria identificação. Ela percebe que suas estratégias de marketing digital podem ser potencializadas quando ela assume o papel de influencer.

Outra questão que achei interessante foi o desafio da jovem americana em conquistar a chefe durona e mal amada. Emily tem empatia e se preocupa com amargor da superior, quer inseri-la no seu mundo. Mas só percebe que a experiência da chefe tem valor quando precisa resgatar um relógio de dentro de um quarto de hotel – e não consegue. A chefe durona vai lá e faz o serviço.

É sutil, mas a série mostra que embora exista uma grande lacuna entre a juventude da personagem e a maturidade e resistência da chefe, as empresas precisam desta mescla de profissionais para se desenvolver e ter sucesso. O marketing de uma empresa precisa de ideias frescas, mas também necessita de um pouco de pé no chão.

Hoje não dá para viver de extremos dentro das empresas. Já ouvi relatos de que startups barram profissionais com mais de 40 anos por serem “velhos demais”. Mas a questão é que, para um negócio evoluir, é preciso equilíbrio – e muitas vezes só se tem isso com representatividade e homogeneidade.

Por fim, são muitos os aspectos interessantes da série e que vão além do figurino usado e do choque cultural enfrentado pela personagem. Emily em Paris ensina que é preciso um pouco de humildade e observação do mundo para ter grandes ideias. 

Autor

Anelise Zanoni

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