As coisas andam um pouco inconsistentes. Em alguns casos, falta repertório mesmo. Conhecimento, experiência, vivências. Já em outros casos, falta mais clareza nos objetivos. Em outros ainda, falta vontade mesmo. Com tudo que vem acontecendo, o mundo está um pouco anestesiado há um tempo. As ações vêm sendo mais de acompanhar as coisas do que propriamente procurar estabelecer, definir.
E claro, passo fundamental, correr atrás. A virtualidade traz essa inconsistência. Como li, a realidade subjetiva. E claro, parece tudo mais fácil, rápido, simples, direto e até limpo na tela. Já a vida real não é tão simples. Vi um vídeo hoje em que o Luiz Felipe Pondé respondia a uma pergunta de internauta, sobre como os pais não serem paranoicos hoje em dia. E uma das dicas que ele deu foi de que os pais procurem não fazer seus filhos felizes o tempo todo, sem parar. Isso tem a ver com uma vida menos limpinha. Onde os tombos acontecem. Onde as pessoas se machucam, onde as coisas são bem mais difíceis, onde é imprescindível (e era a isso que ele se referia) deixar os filhos(as pessoas, em geral, é claro) enfrentarem suas derrotas. Sabe aquele momento em que se beija a lona, como se diz no ambiente do boxe? Justamente.
Querer a vitória, buscá-la, claro que é importante. Até sonhar com ela. Ter um benchmark ou até uma utopia para correr atrás, para gerar inspiração. Ter ídolos, modelos de pessoas que se procure ter como referência. Ou empresas, no caso de empresários. Isso é saudável.
Mas o de sempre: saber que se aquela pessoa ou organização chegou ao ponto em que está, normalmente teve muitas quedas na vida. Claro que há exceções, mas de modo geral as pessoas têm seus fracassos, seja na área profissional ou pessoal. E é importante encarar de frente os fracassos, encarar sem medo, para que fiquem sempre presentes na memória de que aquele caminho não deve ser mais seguido, que uma decisão X levou à consequência Y, que foi muito ruim. E não tomar decisão nenhuma também é uma decisão e também traz consequências, não vamos esquecer.
Então, a coluna de hoje é dedicada à exposição (até uma certa medida, óbvio) das pessoas e organizações que experimentaram o amargo gosto da derrota. Mais dedicada ainda àquelas que souberam cair, mas levantaram com mais aprendizado e se fizeram mais fortes ainda. Mas mesmo as que fracassaram, que consigam compreender que têm seu valor. Que quem não tenta, não erra. Só erraram porque estavam lá para tentar. E sinceramente, por já ter alguma idade e vivência, posso dizer que são os grandes aprendizados.
Então, quer na vida profissional, pessoal, na criação dos filhos, em inúmeras situações, que haja mais exposição por parte das pessoas. Porque proteção em excesso cria pessoas e organizações frágeis, incapazes de enfrentar as durezas e imprevistos da vida. Ficam pessoas sem “casca”. Já disse Baby Consuelo que a vida é para os casca grossa.


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