Acordei hoje cedo chocada com a notícia que está nos principais jornais do País e do mundo. Um homem negro foi espancado até a morte no estacionamento de um supermercado em Porto Alegre (RS). Quanta ignorância, quanta brutalidade.
É muito triste ver o quanto a intolerância e a violência têm se proliferado nos últimos tempos. Claro, elas sempre existiram, mas agora são evidentes porque são também denunciadas.
No Dia da Consciência Negra, um caso como o de João Alberto Silveira Freitas, o homem de 40 anos que foi morto no Carrefour, é ainda mais grave e deixa claro um sinal de alerta de que devemos respeitar mais as pessoas, sermos mais empáticas e valorizar o outro.
O Dia da Consciência Negra não é uma comemoração. É a reflexão sobre uma trajetória num país que sempre negou o racismo e tem na sua história anos de escravidão.
Não precisamos de episódios como este para pensar na temática, e também não são necessárias mais mortes para nos darmos conta de que tem algo errado no mundo – porque o racismo não é exclusividade nossa.
Há anos o Brasil é um país hipócrita e racista. Não reconhece que o racismo existe desde a era colonial e que isso impacta nas políticas públicas e no dia a dia das pessoas.
Se o dia de hoje serve para refletirmos, podemos começar fazendo o exercício de valorizar as pessoas negras que conhecemos e de dar espaço de fala para todos. Indique os profissionais negros que você conhece, contrate-os, ouça o que têm a dizer, elogie, faça sua parte.
Para quem é branco, como é o meu caso, a vida sempre foi mais fácil. Mesmo que a gente tenha uma vida repleta de batalhas, não temos nem ideia do que é ser tratado de forma diferente, de ser visto com desigualdade. Eu imagino como é, mas talvez seja bem distante da realidade.
Então, reflita mais para que o dia de hoje não seja só de péssimas notícias.


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