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2020: a marca que acabou

Por Flavio Paiva

Existem alguns anos que se tornam emblemáticos. 1900 se formos pensar, foi um. O ano 2000, mais especificamente a virada de 1999 para 2000, foi outro. Muito se falou que os computadores, sistemas, a própria internet iam atravessar o chamado “bug do milênio”, ou seja, as coisas sairiam totalmente fora de controle e traria panes de sistemas de todo o tipo: saúde, bancário, computadores empresariais e domésticos e isso geraria além de prejuízos incalculáveis, um dano gigantesco à humanidade. Chegou a existir quase uma legião de profetas do Apocalipse, que afirmava com todas as forças que o bug do milênio seria inevitável.

Agora atente para o que eu disse sobre o ano 2000, mas que não se confirmou: as coisas sairiam fora de controle e traria prejuízos incalculáveis. Claro que você já se deu conta do ponto.

2020 é um ano que por muitas décadas, talvez atravesse uns séculos, ficará marcado pra sempre como um ano maldito, que a grande maioria das pessoas preferia não ter vivido. E nele sim, as coisas saíram de controle e houve prejuízos financeiros incalculáveis. Na verdade, ainda estamos em 2020 e essas coisas estão acontecendo, mas aparentemente existe uma perspectiva de melhoria, tanto com a chegada das vacinas quanto por um aquecimento gradual da economia.

Mas agora pense você: tirando agora, nesse momento, acha que em 2021, quando enxergar 2020, seja porque alguém próximo mencione, seja porque apareça em alguma matéria de veículo de comunicação, algum vídeo ou outro conteúdo em redes sociais, vai sentir uma emoção neutra? Acredito sinceramente que não. Acredito que este ano foi carimbado fundo como um ano caótico para a humanidade. Um ano em que as coisas viraram de cabeça pra baixo e a própria humanidade do ser humano foi posta à prova. Até que ponto as pessoas conseguem realmente ser solidárias e menos individualistas?

Então, como marca, esse ano estará para sempre marcado como algo negativo, de grandes prejuízos, perdas de vidas, o caos de uma vida que existia dentro de uma ordenação desordenada, mas conhecida e que passou para uma desordenação nunca antes vista, até que se encontrasse um certo caminho (ainda desordenado, mas menos) para as coisas acontecessem. 

2020 está diretamente e continuará assim ao ano da Pandemia. O ano em que as pessoas e o mundo adoeceram. O ano doente, o ano do inimigo da humanidade. O ano não. 2020 será uma espécie de odisseia(que é uma viagem marcada por imprevistos e eventos singulares). A odisseia que não precisaria ter acontecido, mas aconteceu. E agora, rumando para o apagar das luzes, acredito que não deixará saudades. 

E que venha 2021!

Autor

Flavio Paiva

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