Colunas

Imprensa doce como leite condensado

Por Anelise Zanoni

Esta semana vi um post nas redes sociais de um amigo pedindo para que as pessoas se indignassem com o caso da compra de milhares de latas de leite condensado com dinheiro público. Eu me manifestei, e disse que nada mais me surpreendia neste país, o que é muito triste… 

Vivemos num Brasil completamente rico em belezas naturais e em pessoas incríveis. Porém, a cultura da corrupção e do “vou me dar bem” faz nosso país amargar índices vergonhosos e apresentar notícias assustadoras.

Nesse território inóspito, o trabalho dos jornalistas é fundamental para conhecermos (e ficarmos com vergonha) de atitudes que a gente nem imagina. Só nesta pandemia, já surgiram relatos de gente que furou a fila da vacina, gente que burlou o sistema para ganhar auxílio emergencial, descaso com a gravidade do coronavírus e muitos outros assuntos.

Todos os fatos que nos entristeceram neste período (e em tantos outros) só viraram notícia devido ao trabalho dos jornalistas. Trabalhar nesta área não é nada fácil: as jornadas de trabalho são longas, o salário escasso e a valorização da atividade é muitas vezes inexistente (é só ver os xingamentos feitos por nosso presidente esta semana).

Quem é jornalista e faz um trabalho sério (sim, já profissionais que são antiéticos!), investiga, confere informações e é isento. Poucas pessoas talvez tenham lido esta informação, mas o escândalo da compra milionária de leite condensado foi explicada de forma correta por veículos de comunicação que souberam investigar bem o caso.

Aqueles que distorcem a informação, alegam que Bolsonaro gastou R$15,6 milhões em latas de leite condensado em 2020. Qualquer pessoa poderia fazer uma conta simples: se uma lata custa R$ 6,00, ele teria consumido 2,6 milhões de latas em um ano! É preciso muita festa e desejo por doce para comer tudo isso.

Então, vamos lá: veículos como o Estado de São Paulo, foram atrás dos números e descobriram que os dados informados do portal Metrópoles (que descobriu o rombo) foram distorcidos e espalhados pelas redes sociais. A reportagem prova que o Executivo gastou R$ 1,8 bilhão em itens de alimentação, sendo que deste valor, R$ 15,6 milhões foram em leite condensado!

Não foi apenas Bolsonaro e sua família, mas todos os órgãos, como ministérios e autarquias. Derrubar esta distorção é papel da imprensa também, porque é preciso trabalhar com dados verdadeiros e corrigir erros. Mesmo com o esclarecimento da notícia, os números continuam assustadores e precisam ser investigados e esclarecidos – é mais um trabalho para a imprensa.

Então, o que quero dizer aqui (mais uma vez) é que o trabalho de profissionais sérios precisa ser valorizado mais. Quem trabalha com comunicação e é sério, ajuda a esclarecer fatos e a divulgar notícias ruins e boas. Sejam elas contra ou a favor de qualquer partido político.

Autor

Anelise Zanoni

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.