As palavras impactantes e lacradoras fazem parte do imaginário e prática de muita gente, atualmente. No caso da prática, claro que isso só acontece com aqueles que são de alguma forma influenciadores. Tivemos um exemplo recente(mas que parece que aconteceu há um ano atrás) que foi o BBB21.
Mas independente de BBB, existe uma necessidade por parte dessas pessoas de ter a última palavra e dar a sentença final, com uma frase de estilo e impacto. Nesse universo, se sentem realizadas. Isso na realidade é uma ansiedade infantil. Bem infantil. Que é a necessidade de não enfrentar contraponto, isso porque ele pode gerar questionamento e junto com esse, a angústia, a dúvida.
Assim é que a audiência e o engajamento nas redes sociais, por exemplo, sobem quanto mais temos frases, sentenças, discursos, vídeos de impacto. Porque se os emissores das mensagens sentem essa necessidade, os receptores desse tipo de conteúdo também. Pelo mesmo motivo, se sentem mais confortável por um mundo que já foi mapeado e definido por outro(s).
Não preciso me fazer questionamentos e jamais em tempo algum dizer como Sócrates, “Só sei que nada sei”. Se existe uma máxima que é a de hoje é “Só sei que tudo sei”. Mas pensem em tudo. Tudo de tudo, de todos os assuntos, mesmo sobre aqueles que nada sei eu sei muito. Essa lógica subvertida, atravessada e mais “segura” anda em vias mais confortáveis.
Uma coisa é aproveitarmos as experiências e vivências de pessoas que passaram por coisas que não passamos, que já andaram mais pelas estradas que ou não andamos ou andamos pouco ainda. Outra bem diferente é achar que exista uma só essência e verdade na vida. São coisas muito, muito distintas.
Acho que questionamentos e dúvidas são inclusive benéficos na vida. Foi a partir deles que a humanidade evoluiu, com um por exemplo “e se eu fizer isso aqui de forma diferente?”. Fosse algo tecnológico ou mesmo humano. Como fazer e obter resultados diferentes(não me refiro só ao ambiente profissional, mas pessoal também) com as mesmas pessoas, como fazê-las entender que a minha mensagem não é a que pareceu ser, como tentar mostrar que existe ali um objetivo comum?
Com certeza não é lacrando. Mas envolvendo, ouvindo, trocando, refletindo e por fim, evoluindo.


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