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A esperança está na vacina

Por Elis Radmann

A pandemia tirou a grande maioria da população da zona de conforto. Em média, 92,0% da população do RS alterou seus hábitos cotidianos, sendo que algumas mudanças foram contingenciais e outras estruturantes, alterando o dia a dia das pessoas.

A pandemia mudou a forma de relacionamento entre os amigos e até entre as famílias. Afastou fisicamente as pessoas, limitou as comemorações festivas e as atividades de lazer.

E o mais triste, a pandemia ceifou a vida de muitos brasileiros, trouxe sequela para tantos outros, marcando a histórias de muitas famílias. A pandemia colocou o sistema de saúde à prova, exigindo o máximo de todos os profissionais da saúde, fazendo com que a ciência tivesse que rever todos os seus protocolos para fazer uma vacina em tempo recorde.

A pandemia alterou a organização social do trabalho, ampliando-se o trabalho home office e levando muitas medidas restritivas para dentro das empresas. Faliu muitos empresários, tirou o emprego de muitos trabalhadores e precarizou a vida financeira de tantos outros autônomos.

Por outro lado, a pandemia acelerou o processo tecnológico, dobrando as vendas do mercado online e levando muitos atendimentos para a forma remota, como aulas de ginástica, atendimentos psicológicos e médicos.

A pandemia transformou a educação. No “susto”, os estudantes passaram boa parte do tempo sem aulas ou com aulas sendo executadas de forma não presencial (ocorrendo remotamente de forma digital ou com materiais impressos). A pandemia castigou a educação brasileira, que está tentando retomar suas atividades de forma híbrida, com gestores públicos tentando compreender as lacunas e os impactos geracionais que a pandemia irá causar no futuro das crianças e adolescentes.

A pandemia intensificou a ansiedade, motivou o medo e a preocupação e facilitou a tendência depressiva das pessoas. Mais de 40,0% dos gaúchos afirmam que estão sofrendo com impactos emocionais, e que esse contexto de incertezas alterou o humor e a saúde mental da família.

Diante de tantos impactos e dificuldades, a população sonha com o fim da pandemia. Mais de 86,0% dos gaúchos acreditam na vacina e esperam que ela seja a principal arma para derrotar esse inimigo invisível. São pessoas que irão fotografar, postar e comemorar quando a vacina entrar em seu braço.

A vacina traz esperança, pois permite que as pessoas possam fazer projeções, acreditar em dias melhores. A vacina amplia a autoestima das pessoas, a confiança no amanhã. A vacina traz a sensação de segurança, a percepção de que haverá proteção para quem se ama. A vacina traz a ideia do pós-pandemia, de que essa guerra está no fim. É como se fosse uma luz no fim do túnel.

Mas essa sensação se configura com a ideia de que, em breve, haverá vacina para todos. A população se preocupa com as crianças e adolescentes, em especial, aqueles que têm comorbidades.

A esperança na vacina está dividida em, pelo menos, três estágios: O primeiro, que toda a população adulta seja efetivamente vacinada com as duas doses, ainda em 2021. O segundo diz respeito à ampliação da vacina para crianças e adolescentes. E o terceiro é com a abolição do uso de máscaras e a volta do convívio social entre as pessoas. Na prática, as pessoas desejam que a vacina traga a normalidade da vida.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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