Todos acompanhamos a trajetória da vacina até a chegada aos postos de saúde e aos braços dos contemplados. A imprensa fez e faz uma cobertura histórica, informativa e minuciosa sobre o tema. Em diferentes canais podemos acompanhar, diariamente, o que está rolando. Dentre tanta coisa a dizer, tem ganhado destaque a escolha da marca do imunizante e os efeitos que isso acarreta para que possamos acelerar – ou não – o controle da contaminação. A imunização é um ato coletivo e os cidadãos devem tomar a vacina disponível no posto.
Há diferentes motivos para tal escolha, pelo que sei. Muita fakenews, outros que falam da eficácia e dos efeitos colaterais e têm ainda aqueles que dizem que para viajar para o exterior só aceitarão A ou B. Sim, tem mesmo muita gente querendo retornar à vida social, às viagens e a tudo que tanto sentimos falta. Mas convenhamos que diante de tudo que estamos passando, a que estiver disponível é sempre a melhor opção.
Daí vejo muito o papel da imprensa neste compartilhamento de informações, de fazer a população se conscientizar e ir tomar a vacina. Diferentes movimentos foram feitos, contando com personalidades locais, nacionais, com jingle e tudo que sabemos fazer bem.
Diante de tudo, uma notícia publicada essa semana me chamou a atenção. Que fique claro que o conteúdo é relevante, informativo e necessário. Mas me questionei sobre o momento da publicação, tendo em vista esse problema real da escolha por marca de vacina. O título chamava: “veja os imunizantes que são aceitos para se entrar na Europa, nos EUA e em países da América Latina”. Uma apuração gigante, um conteúdo completo e rico em detalhes de cada país. Fiquei pensando, quando li, que quem estiver com planos para ir a algum destes locais mencionados na reportagem, vai ser mais gente a escolher qual vacina quer receber. Nesse intervalo de ter ou não ter, os riscos seguem e o controle da pandemia fica ainda mais distante.
Aprendemos a julgar o “valor-notícia” desde os tempos de faculdade. Sabemos do impacto e da influência que a imprensa tem na sociedade. Veículos confiáveis são base para decisões. E o interesse social é uma das premissas do bom jornalismo. Talvez pudesse ter sido feita uma avaliação prévia dos prós e contras de tal publicação, tendo em vista o momento que vivemos e o quanto é necessário a publicação de algo “atemporal”.


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