Estes existem aos milhões. Sejam estranhos por exóticos, por inesperados ou mesmo por terem um componente sinistro. No caso do Strange Case da minha coluna de hoje, vou desenvolver uma ideia sobre o romance Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde.
Imagino que a maioria das pessoas tenha, senão lido, tido contato com a ideia de termos dois lados, um bom e outro mais sombrio, capaz de coisas más. Ainda é matéria de discussão na psicologia, na neurociência e na filosofia o quanto os seres humanos realmente têm essa natureza dual.
Agora, diz aí: você nunca se pegou fazendo algo ruim, de tal forma que chegou a não se reconhecer depois de feito? Pois é. Não quero confirmar nem desconfirmar a teoria, mas que é um fato que somos capazes de coisas boas, lindas e ao mesmo tempo de coisas ruins, isso é inegável.
Só seres humanos em um estágio altíssimo de desenvolvimento (e ainda assim, confesso que tenho minhas dúvidas) conseguem sublimar, deixar de ter impulsos negativos. Mesmo que eles não se traduzam em atos, mas fiquem nos pensamentos.
O ambiente de negócios vem passando há alguns anos por uma transformação. De totalmente competitivo e predatório para aquele que, impulsionado por novas organizações, startups, empresas com pegadas ambientais, com pautas raciais, de gênero, em um ecossistema com um pensamento mais coletivo.
Sempre me pergunto até que ponto isso realmente ocorre lá dentro das pessoas ou apenas pra que se sintam pessoas legaizinhas, que suas consciências sejam aliviadas. O que eu quero dizer? Que o fator determinante para definir se um ato é bom ou não é sua intenção. Se ela for genuinamente, com a intenção de promover o bem ou ser solidário, show. Mas, como eu disse antes aqui no parágrafo, se os atos são feitos seja para que se sintam limpinhas ou mesmo acompanhando um modismo sem sustentação, não vejo mérito.
Portanto, é preciso estar sempre com olhos de ver e ouvidos de ouvir. Só o ato, embora ele seja muito importante, não define algo. Sua intenção, sim. Ah, óbvio: existem aqueles atos que não dão certo, ou seja, que não tiveram a intenção (mas não tiveram mesmo!) de causar dano ou prejuízo a alguém, mas aconteceram. Bem, eu vejo aí um atenuante, embora se tenha causado dano, a coisa está feita.
Pra finalizar: as organizações estão se horizontalizando. Estão mesmo? Porque entra, do meu ponto de vista, um componente que é o poder. O ser humano briga por três coisas, entre elas o poder. Nos ambientes, sejam profissionais, familiares, até entre amigos isso pode acontecer. E se faz parte da gênese do ser humano brigar pelo poder, vamos conseguir mesmo essa horizontalização? Longe de mim dizer que devemos voltar ao modelo vertical, mas fica só essa questão para reflexão.


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