A Sociedade do Espetáculo não é criação minha, mas o título de um livro de 1967 (isso mesmo, de 1967) de Guy Debord. Tem um contexto na Europa pós Segunda Guerra Mundial e é uma crítica. Ao espetaculoso, que é algo espalhafatoso, que chama a atenção (nesse caso, no mau sentido).
Pois o incrível é que as pessoas e a própria sociedade só acentuou esse viés de lá pra cá. E muito. Nota-se muito as pessoas sem consistência, querendo aparentar algo que na verdade estão longe de ser.
Existe um termo em francês, bem conhecido, que se chama blasé, que é indiferença pela novidade, um certo tédio, podendo ser momentâneo mas na maioria das vezes é por um período mais longo e talvez existencial. Aí o bicho pega.
Então, meus amigos, me preocupa bastante o fato de termos e vivermos um museu de grandes novidades, como cantou o Cazuza. Quero o novo de fato, mas o vejo distante ou não enxergo. É tão complicado que às vezes me sinto como aquele perdido no deserto, só areia, que olha para o horizonte e dá o efeito trêmulo, confundindo o limite entre a areia e o céu, se tornando uma espécie de lente distorcedora.
Então, precisamos urgentemente de consistência no que somos (me incluo, se notarem). Que seja o fim dos museus de grandes novidades, que se imponha o espaço para o novo, que sejam feitos os partos dos novos bebês que darão os primeiros passos na direção de um novo mundo.
Lembram que eu falei sobre o primeiro astronauta americano, que deu um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade? Pois é. Até hoje não sei se esse passo foi mesmo grande, mas de toda forma a frase ficou eternizada porque é boa e potente.
Precisamos dessa potência de expansão do novo, esse germinar, mas de outras formas de vida, que tenham mais impulso, mais força e tirem o povo marcado da vida de gado. Precisamos de lideranças. De gente com uma nova maneira de pensar, mas não fora da caixa. Mas sim fora da caixa que contém a caixa, que contém a caixa, que contém a caixa e que está flutuando no espaço.


*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial