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Entre a polarização e a esperança

Por Elis Radmann

Diz o dito popular que o brasileiro não desiste nunca. E é essa força histórico-cultural que move as pessoas nesse momento em que se vive sentimentos tão dicotômicos, indo do desânimoà esperança.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião mostram que a maioria dos gaúchos estão exaustos, não podem nem mais ouvir falar em pandemia. E cada um tem o seu motivo! Alguns pelo cansaço causado pelo isolamento social (incluindo a ansiedade, o stress ou a depressão), outros sofrendo com as sequelas financeiras impostas pelas medidas restritivas e alguns ainda tentando tratar as sequelas da infecção ou chorando as perdas de seus entes queridos.

Os gaúchos também mostram uma certa estafa com o acirramento político, em especial, com a polarização política que dissemina o discurso do ódio e gasta mais tempo procurando um culpado do que indo atrás de uma solução. Sete de cada dez gaúchos reconhecem que há uma polarização em curso e a maioria avalia que essa polarização “mais prejudica do que atrapalha”. Sabendo que ainda tem os “atacantes políticos” que gostam muito de uma disputa e os “zagueiros políticos” que acabam entrando na briga para evitar um “mal pior”.

A pandemia castigou o Estado de todas as formas, tirando vidas, criando traumas emocionais, desigualdade educacional e prejuízos financeiros de toda ordem. É como se vivêssemos em um período pós-guerra e a maioria desejasse a superação do conflito, virar a página com sabedoria para encontrar o melhor caminho e esperar pela união para alcançar esse propósito.

O que as pessoas querem é esperança para acreditar, é motivação para “arregaçar as mangas” e trabalhar, conseguir um emprego ou empreender. Quem tem filho aguarda pelo melhor plano de recuperação das lacunas deixadas pelas aulas remotas e quem tem um problema de saúde espera que a sua demanda seja resolvida o mais rápido possível.

O desejo é simples, a maioria da sociedade espera que os gestores públicos tenham eficiência administrativa e muita sensibilidade social. Mais de 2/3 da sociedade não querem briga, não querem polarização, não querem achar um culpado. A expectativa é que os líderes guiem a população na saída dessa pandemia, mostrando políticas públicas que amenizem as “dores” e os sofrimentos e sinalizem os recomeços, com foco no desenvolvimento social e econômico e no combate à inflação. Não precisa nem de pesquisa de opinião para saber que a nova preocupação da população está associada ao aumento contínuo de preços, que tem como “carro-chefe”os combustíveis, a energia e alimentação básica.

A pesquisa identificou que mais da metade dos gaúchos estão com a crença em alta, acreditam que nos próximos 12 meses o Estado do RS irá se desenvolver e a sua vida familiar irá progredir. Quanto menor a escolaridade e a renda familiar, maior a esperança em dias melhores. Os mais jovens também estão mais motivados com o futuro e acreditam que a pandemia irá diminuir e a vida irá ir voltando ao normal.

Enquanto a polarização divide, a esperança estimula!

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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