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A maioria dos gaúchos é a favor do passaporte vacinal

Por Elis Radmann

A radicalização das opiniões tomou conta de muitos debates durante a pandemia, em especial, quando o tema se refere a direitos ou liberdades individuais.

Os entrevistadores do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião percorreram mais de 40 cidades do RS aplicando a seguinte pergunta: Conhecido como “passaporte vacinal”, o certificado de imunização e segurança sanitária permite que pessoas com vacinação ou teste negativo acessem locais públicos e privados (como festas, teatros, cinemas e estádios) e restringe a circulação de quem não tem o passaporte. Qual a sua posição sobre o passaporte vacinal? 

– 79,2% se mostraram favoráveis ao passaporte vacinal;

-18,5% demonstraram sua contrariedade à exigência do passaporte vacinal;

– 2,3% não se manifestaram sobre o tema.

A aprovação se manifesta em todas as regiões do Estado do RS e em todos os grupos sociais. Os destaques são observados nas regiões com grandes centros universitários e de funcionalismo público, como as regiões de Santa Maria, Pelotas e Porto Alegre. Quando se coloca a lupa no perfil socioeconômico, pode-se observar que as mulheres são mais adeptas à exigência do passaporte e até os jovens, de 16 a 24 anos, concordam com a medida. 

Aqueles que ainda mantém certo isolamento social, como aposentados, donas de casa e estudantes que ainda estão em aulas remotas, consideram que a medida é mais um controle sanitário que tende a proteger a sociedade.

Há uma relação direta entre a adesão à vacina e a favorabilidade ao passaporte vacinal. Quem se vacina, acredita que está protegendo a si e a coletividade e aprova a regra de “deixar passar” quem também tem a vacina.

No Estado Democrático de Direito, como é o caso do Brasil, as minorias devem ser respeitadas. Mas o direito da minoria não pode se sobrepor ao direito da maioria, sob pena de colocar em xeque o conceito de maioria e a bússola da democracia.

Não se pode perder de vista o ideal da democracia, em que a vontade da maioria se sobrepõe à da minoria com o propósito de efetivar a participação política e alcançar o bem comum! A decisão da maioria deve ter como balizadores a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a isonomia e, principalmente, o sentimento de coletividade. Em uma democracia, o direito da maioria visa, por essência, o bem comum, o bem da coletividade. 

Com a radicalização dos debates políticos, a politização da saúde e a ação dos haters, que atuam diuturnamente nas bolhas digitais, é cada vez mais comum a narrativa de que o direito individual não pode ser limitado, colocando em xeque o direito coletivo e os conceitos de maioria e de bem comum!

O resgate do conceito de bem comum é uma tarefa de toda sociedade e um “dever de casa” para os três poderes de cada cidade e para os três poderes estaduais, sendo vital para a legitimidade do sistema. O êxito desse resgate exige que o conceito de bem comum resulte no entendimento e no atendimento das demandas da maioria. Que o bem comum seja a tangibilização dos direitos da maioria e que esses direitos sejam percebidos nas “pequenas grandes coisas” que fazem o cotidiano da população.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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