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A pandemia acelerou as transformações do mercado de trabalho

Por Elis Radmann

Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião para a Assembleia Legislativa avaliou os impactos da pandemia no mercado de trabalho, analisando a percepção dos gaúchos sobre as mudanças que estão em curso e a visão sobre o futuro.

A pesquisa verificou que sete de cada dez gaúchos concordam com a premissa dos especialistas em tecnologia e transformação digital, reconhecem que alguns empregos que existem hoje não vão existir mais e que serão substituídos por outros tipos de vagas. 

A pandemia acelerou drasticamente a forma de organização social do trabalho com o avanço da tecnologia, fazendo com que muitas profissões recebessem o alerta vermelho, motivando a diminuição ou extinção de várias vagas de trabalho. Os exemplos mais atuais de substituição do ser humano pela tecnologia estão associados aos cobradores de ônibus e porteiros de edifícios. 

Para 95,7% dos gaúchos os governos deveriam se preocupar e investir recursos públicos na qualificação e requalificação profissional da população. O Governo do Estado e as Prefeituras devem oferecer cursos públicos que levem em consideração o perfil dos diferentes públicos-alvo: 

  1. Cursos para os jovens, mostrando o papel da tecnologia em diferentes áreas como indústria, comércio e serviços; 
  2. Treinamento para trabalhadores que estão na ativa. Nesse caso, os cursos precisam ser personalizados e atender às necessidades de acordo com as vocações econômicas de cada região do Estado. Na visão dos entrevistados, os gestores públicos devem fazer parceria com as empresas que não possuem condições de investir em qualificação profissional;
  3. Cursos de requalificação para as pessoas desempregadas ou para os trabalhadores maduros que precisam ser orientados para um reposicionamento profissional.

A sociedade gaúcha está preocupada com a situação da economia brasileira, em especial, com a inflação e o desemprego que se estabelece nesse estágio de saída da pandemia.

Os gaúchos sonham com o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do Estado, sabem que precisam “arregaçar as mangas” para trabalhar e contam com a Assembleia Legislativa, com o Governo do Estado e com as Prefeituras para fomentar, orientar e apoiar o empreendedorismo que está no sangue desse povo aguerrido e bravo.

A pesquisa indica que são necessárias leis ou políticas públicas que incentivem as seguintes ações:

  1. Um planejamento sistêmico de cursos de qualificação técnica, mesclando tecnologia e inovação à vocação de cada região.
  2. Uma legislação inclusiva dos profissionais maduros que estão sendo substituídos por máquinas e precisam se requalificar para uma nova área profissional.
  3. Uma política de inclusão digital que adentre as escolas e seja replicada em ações educativas de interação com a população de menor renda e maior faixa etária.
  4. Um apoio e fomento ao empreendedorismo, indo desde a orientação até o incentivo fiscal.

Não podemos pensar em indústria ou estratégias de vendas para consumidores 4.0 sem investir em treinamento e formação de trabalhadores 4.0.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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