Eu recebi essa pergunta da Priscila: “Vida, o que você acha do bem e do mal? Acredita neles?”. Eu vou ser direta e reta nessa pergunta, minha queridinha: não. Acho que ações e sentimentos são contextuais e eu sou uma área cinza que dependendo das circunstâncias pode muito bem alterar o significado puro de bem e de mal. É uma pergunta complexa e eu poderia ficar discorrendo muito tempo sobre isso, mas eu sou a Vida, apressada, caótica, e egocêntrica: adoro falar de mim mesma. Então vou te dizer qual a pergunta seria mais importante: “o quanto somos bem e somos mal?”. Eu diria: metade, metade.
Humanos são puros, mas egoístas. São uma junção de dores e traumas que precisam ser constantemente ressignificados. Trabalhados. E isso é chato pra caramba. Eu sei. Mas é mais sobre tentar deixar a luz acesa do que de fato conseguir o tempo todo. Acho lindo o esforço em serem bons, precisamos disso. Mas não posso compactuar com a pressão pela perfeição. Quem nunca errou enquanto fazia jogadas no meu tabuleiro que atire a primeira pedra! Vocês podem e devem errar! Vocês precisam aceitar que irão fazer o mal, às vezes, mesmo querendo fazer o bem. E que – sim! – pessoas fazem o mal por que querem e isso não tem desculpa. Mas a questão é o que você faz com a pedra que jogam em você? Não vou ser utópica e dizer pra oferecer outra para a pessoa te jogar. Mas talvez olhar essa pedra e entender de onde ela veio, porque ela me machucou e o que eu faço com ela para me fazer melhor.
Desconfie de pessoas que têm certezas absolutas. Que não conseguem enxergar o olhar do outro. Veja bem. Ninguém tem a obrigação de abraçar a imperfeição alheia, mas entender que ela faz parte de todo ser-humano e aí sim escolher o que fazer com isso. É ficar? É partir? É recomeçar? É perdoar? É esquecer? É se distanciar? Foque mais em como se manter saudável e feliz e menos sobre conceitos tolos, rasos e infantis sobre certo e errado. Eu não trabalho com o preto no branco. Eu trabalho com o cinza.
Com Amor, Vida.


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