Recebi essa pergunta da Patrícia: Vida, você é só um conceito ou você realmente existe? Obrigado pela pergunta, Paty. Sei que no dia a dia é difícil, às vezes, me ver. Mas eu sempre estou lá.
Quando você estava triste, fiz você lembrar da sua mãe e de como ela pode ir de uma bronca para um: eu te amo. Quando você estava triste eu era aquela playlist, já modificada várias vezes por você, pra contemplar todos os seus amores e desamores decorrentes. Quando você estava triste, eu era o cheirinho de um café recém passado perambulando pela casa e terminando fumegante na caneca que diz “eu tenho a melhor irmã do mundo”. Eu sou aquele seu insight surgido do nada de quando você concluiu que era uma soma de crenças limitantes impostas pela sociedade, família e por mim mesmo. E aceitou isso. Eu bati palmas nesse dia para você. Eu estava do seu lado quando você se absolveu de perdoar e ser benevolente o tempo todo. Quando você aceitou suas raivas e a legitimidade de tê-las por causa de pessoas que te amaram. Nós sabemos, meu bem, que amor, independentemente do tipo, não é salvo conduto pra esquecer e deixar para lá. Estimar pessoas que te machucaram não deslegitima a dor que ainda você possa sentir.
Quando você estava triste, vi com orgulho você aceitar que machucou os outros e aceitar que a raiva deles também era legítima. Te fiz lembrar com aquela foto antiga de tudo que você conquistou. Eu, minha queridinha, sou o carinho que você sente quando olha seus cachorros e lembra de todos os momentos em que eles se deitaram debaixo das cobertas contigo. Eu sou a aceitação de que pessoas são só pessoas, gananciosas, egocêntricas, machucadas, complexas, tentando fazer o melhor que acham que podem. Eu sou sua janela quando você olhou pro céu esperando um dia cinza e deu cara com um azul cheio de nuvens fofas.
Eu estou, minha querida, onde você me enxerga. Vale tentar ver diferente, às vezes.


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