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Somos mais conservadores do que liberais?

Por Elis Radmann

Para compreender a “visão de mundo” dos gaúchos, o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião aplicou três diferentes testes, um sobre ideologia, outro sobre valores sociais e, um último, sobre valores econômicos. 

Neste artigo apresento os resultados do teste sobre valores sociais, a perspectiva da sociedade sobre costumes e moral.

A pergunta aplicada foi a seguinte: em geral, como o(a) Sr.(a) descreveria suas atitudes em relação aos VALORES SOCIAIS, apresentando uma régua com dois extremos, da esquerda para direita:

  1. a)  Aqueles com valores LIBERAIS são a favor de liberdades pessoais expandidas, por exemplo, sobre direitos ao aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e participação democrática. 
  2. b) Aqueles com valores CONSERVADORES rejeitam essas ideias em favor da ordem, tradição e estabilidade, acreditando que o governo deve ser uma autoridade moral firme em questões sociais e culturais. 

E o entrevistado analisava a régua e respondia… em uma escala de 1 a 10, sendo que mais próximo de 1 é muito socialmente liberal nos costumes e mais próximo de 10 é muito socialmente conservador nos costumes. Com qual nota o(a) Sr.(a) se classifica? 

Os resultados mostram que a população gaúcha se auto classifica em três grupos: 

– 34,8% se classificaram como de esquerda, socialmente liberal;

– 23,6% afirmaram ser de centro, se posicionaram no meio da régua;

– 37,3% de direita, socialmente conservador nos costumes.

Os liberais defendem uma ampla gama de pontos de vista e apoiam ideias como os direitos e garantias fundamentais e direitos humanos, democracia, igualdade de gênero e racial, liberdade de expressão e religiosa.

Os conservadores têm o objetivo de manter as tradições, os valores e os “bons costumes”, bem como a manutenção das instituições e da hierarquia social. Se manifestam contrários ao aborto e à união entre pessoas do mesmo sexo. Por darem valor à tradição, prezam pela manutenção da ordem, “as coisas do jeito que sempre foram”. Com valores arraigados, têm mais dificuldade de se adaptarem às mudanças cada vez mais velozes da sociedade.

A parte qualitativa do estudo se aprofundou em compreender os argumentos dos que se classificam como centro, afinal de contas, qual a tendência deste grupo que é o fiel da balança?

As pessoas que se autoclassificam como centro afirmam que estão sofrendo com as pressões da sociedade em transformação. Acreditam que as mudanças fazem parte da evolução, mas estão muito preocupadas com a velocidade e a fragilização do conceito de família, dos valores que passaram de geração em geração. Se preocupam com a ampliação do individualismo e, por conseguinte, do egoísmo. Avaliam que as redes sociais, simultaneamente, empoderam e fragilizam a sociedade e acreditam que o direito da minoria precisa ser respeitado, mas não pode se sobrepor ao direito da maioria. O centro até “entende” a esquerda liberal, mas seus valores tendem mais à direita conservadora.

Reconhecem que as bolhas digitais se tornam um instrumento de proteção, onde pares se encontram e reforçam a sua cultura e crença, enquanto a ideologização se torna a parte mais visível, como se a polarização fosse “em torno de nomes”, quando na verdade o que está em DISPUTA é uma CONCEPÇÃO de MUNDO.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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