A pauta, em jornalismo, é fundamental. A boa pauta, eu diria, é essencial para que um veículo consiga manter-se atraente, atuante e cumprindo sua missão de bem informar. E, muitas vezes, com base em análises, deduções e informações, antecipar-se a determinados acontecimentos. Faço essa referência depois de avaliar por um bom tempo as manifestações das pessoas nas redes sociais, em reportagens em geral e também nas conversas com alguns amigos e conhecidos. A grande maioria, quase absoluta, entende que o Brasil está muito mal e a tendência é piorar caso medidas radicais que mudem o rumo da nação não forem tomadas de imediato.
Qual seria a solução? Essa é a pergunta mais frequente. Desiludidos com o atua cenário de corrupção, corporativismo e poucos resultados, muitos acham que há justificativas para um golpe militar. Outros acham que se forem adotadas as reformar política, da previdência e trabalhista, muitas questões seriam resolvidas. Mas estas propostas tramitam mais no boca a boca em Brasília há mais de 20 anos e nada acontece porque os grupos dominantes não tem interesse. Daí a “simpatia” de muitos por um golpe militar. Cansados de conviver com a falta de segurança, o sucateamento do sistema de saúde, a corrupção e outras mazelas do dia a dia, apegam-se à suposta seriedade de um regime militar, mesmo que temporário, apenas para colocar o país nos eixos e com o compromisso de seguir um novo rumo.
Mas poucos sabem sobre todas as implicações que um golpe militar acarreta, o confronto com movimentos sociais e políticos. Seria diferente do regime de 1964, quando houve confronto, prisões, perseguições, torturas, mortes e uma série de mordaças. Depois de 20 anos, com a abertura, o país poderia ter aprendido, mas parece que a lição não foi assimilada. O Brasil continua mal. Penso que o Brasil poderia, mesmo nas atuais circunstâncias, tentar outras soluções, como a geopolítica. Por ser um país de dimensões continentais e no qual o sistema federativo é um fracasso, porque não avaliar a possibilidade de “fatiar” o Brasil em vários países, conforme suas características geográficas, econômicas, de formação etc. Sem discriminações ou xenofobismo, mas pelo pragmatismo. Certamente seria mais fácil de administrar.
Tenho procurado acompanhar reportagens sobre política, economia e questões sociais nos principais veículos de comunicação do Brasil. Posso ter me “passado” porque o volume de informações atualmente é muito vasto. No entanto, anda não vi, não li e não ouvi nada sobre essa questão de o Brasil estar em uma encruzilhada. Não tenho visto ou ouvido manifestações ou analises sobre o que pensam as principais lideranças militares do Brasil. Será que os generais que comandam nossas Forças Armadas são favoráveis a uma intervenção no comando do Brasil para acabar com essa “Casa da Mãe Joana” na qual se transformou o país? Será que os generais falam? Eles podem falar? Eles querem falar? E as lideranças políticas e intelectuais, o que pensam? Veem algum cenário propício a um golpe militar? Tem alguma ideia do que possa ser feito em termos de mudanças radicais para mudar o pais? Seria o parlamentarismo uma alternativa viável?
Como todos, eu também ando preocupado e gostaria de vislumbrar um futuro promissor para o Brasil, mas sem que fosse preciso violentar o povo de uma ou outra forma. Também espero por soluções e por respostas. Estivesse eu em um grande veículo, tentaria fazer a reportagem que está faltando. Quem sabe alguém se habilita? Que falta: a ideia ou a coragem.

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