Na coluna anterior, quando comentei sobre a Voz do Brasil, havia prometido dar sequência à questão envolvendo a comunicação pública, EBC etc. No entanto, abro um parênteses para tratar de outros temas também atuais: as mudanças na edição dominical do Correio do Povo, o + Domingo, que começa a circular a partir de 4 de junho, e também abrir espaço para uma bela iniciativa da RBS, de programar visitas e palestras de jornalistas da Zero Hora em tour pelas faculdades de comunicação do Rio Grande do Sul.
Comecemos pelo +Domingo. A iniciativa é louvável. Aliás, todas as mudanças projetadas para atualizar o sistema de comunicação, seja na mídia impressa ou nas demais plataformas, são sempre bem-vindas. Recentemente o Correio do Povo passou por um processo de modernização gráfica, mas no aspecto editorial foi tímida, para não dizer, inexistente. Mas agora a mudança é mais radical. E positiva, pois dizem os especialistas que é a mais expressiva desde 1986, quando o jornal passou do formato standard para o tabloide.
Não sei se o surgimento da edição de fim de semana de Zero Hora teve alguma influência na decisão do Grupo Record, mas a verdade é que o jornal precisava mesmo de uma sacudida, um diferencial, talvez para abocanhar uma parcela daqueles que não apreciam o ZH Fim de Semana. Mas, por uma questão de logística, o +Domingo vai ser entregue junto com o Correio do Povo de sábado. Então, não espera notícias fresquinhas. É uma estratégia. Ah! se quiser notícias fresquinhas, fique no rádio ou consulte os sites ou as edições digitais.
Vi um esboço inicial do projeto e gostei. O +Domingo apresentará um layout de revista, conteúdo jornalístico mais detalhado e matérias especiais. “Por ser um jornal enxuto, e por ter como característica o factual e o noticiário diário, reportagens de aprofundamento acabavam perdendo um pouco de espaço”, disse recentemente o diretor de jornalismo do Correio do Povo, Telmo Flor. “Essa mudança veio para oferecer essa possibilidade: de termos um conteúdo mais completo, sem perdermos nossa tradição de apresentar o factual”, completa.
Sem dúvida, formato de textos curtos e pouco atrativos, talvez cumpra seu papel durante a semana, pelo menos para quem argumenta que as pessoas cada vez têm menos tempo para ler. Assim, com mais tempo disponível no domingo, os leitores certamente vão apreciar o tratamento com reportagens mais elaboradas, um grafismo moderno, fotos mais abertas, seções mais bem cuidadas. Enfim, um desafio para a editora do +Domingo, Veridiana Dalla Vecchia. Ela diz que o novo sistema “muda um pouco” o formato original, mas espero que possa ser impactante, porque senão corre o risco de cair na mesmice e não conservar o leitor. Estou curioso para ver: ou muda de forma consistente ou fracassa. Essa estratégia de “maquiagem” não se sustenta por muito tempo.
De qualquer forma, pelo menos alguma notícia boa a saudar na antiga “Casa de Caldas”, que em abril andou soltando o “passaralho” e demitiu vários jornalistas. Não sei se a equipe do +Domingo foi reforçada pelo por um nome consistente, seja colunista ou jornalista, para dar um foco de avanço. Mas vamos confiar. Como sempre digo: mudar, evoluir, é preciso, até porque a fila anda.

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