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Momento atual é teste de fogo para jornalistas

O atual momento sócio-político brasileiro transformou-se em um verdadeiro “teste de fogo” para os jornalistas, principalmente aqueles que fazem cobertura política e econômica. Mesmo …

O atual momento sócio-político brasileiro transformou-se em um verdadeiro “teste de fogo” para os jornalistas, principalmente aqueles que fazem cobertura política e econômica. Mesmo considerando-se que qualquer cidadão pode tomar partido e declarar-se favorável a A, B ou C, o mesmo não se aplica a quem exerce o jornalismo com imparcialidade, isenção e dignidade. Uma das premissas que aprendemos é ouvir as duas (ou todas) as partes e dispensar igualdade de tratamento. Qual o motivo deste enfoque justamente no dia em que o Senado votou pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff?

É simples: quem trilhar um caminho diferente corre o risco de ser considerado tendencioso e, por consequência, não confiável. Exceto se estiver em algum veículo engajado política e ideologicamente a algum partido, facção, segmento social ou assemelhado. Confesso que pretendia escrever sobre algum aspecto técnico do jornalismo, mas os fatos que estão acontecendo ultimamente nos remetem a uma análise mais criteriosa sobre o jornalismo que estamos fazendo… mesmo não estando em veículos tradicionais e de circulação mais abrangente. Ao comentarmos nas redes sociais, por exemplo.

Lembrei disso quando li um post do professor Luiz Artur Ferraretto, sempre ponderado nas suas considerações. Por ser importante para os jornalistas, reproduzo o post aqui: ‘Jornalista?

Que tipo de credibilidade almeja obter o usuário de expressões depreciativas? Entendo, embora com ressalvas, que o cidadão comum chame esse ou aquele político de ‘safado’ ou esse ou aquele movimento ou instituição de “pilantra”. Pode se tratar de Dilma ou de Temer, de Aécio ou de Cunha, de Genro ou de Sartori, do MST ou do instituto Liberal… Agora, se o sujeito é jornalista e faz isto publicamente – por exemplo, em redes sociais -, a coisa muda de figura. Se tem conteúdo, um jornalista não precisa chamar ninguém de ‘safado’ ou de ‘pilantra’. Basta apresentar dados baseados em consulta a documentos, a especialistas e/ou a protagonistas. O público encarrega-se do resto. Hoje, pelos fatos do dia, vi alguns recorrerem a estas expressões demonstrando apenas sua raiva. Podem ter o diploma. Podem ter a carteira assinada como tal. Podem, inclusive, se dizer jornalistas. Não são. Quando deixam de lado a razão e pendem para o emocional, perdem a sua caracterização como profissionais.”

Concordei plenamente com esta visão, pois convivi dezenas de anos em vários setores do jornalismo onde a passionalidade, a emoção e o envolvimento são difíceis de serem abstraídos. A tendência das pessoas é tomar um lado, apoiar ou discordar. É da natureza humana, mas algumas profissões ou atividades não pressupõem esse comportamento. Um juiz, um padre/pastor, jornalista precisa ter o discernimento de que não está agindo ali em causa própria. No caso de um jornalista, duvido que muitos, ao entrevistar um determinado político, reconhecidamente corrupto, ou inapto para o cargo, não tivesse vontade de fazer uma pergunta direta sobre determinado tema e até mesmo chamado de “safado”, “mentiroso”, mas tanto o código de ética como a própria educação não permite que isso seja feito. Há outras formas de fazê-lo.

Autor

Julio Sortica

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