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O saudável e necessário troca-troca na imprensa

O troca-troca é sempre saudável e necessário em qualquer atividade produtiva, mas na imprensa, é mais do que isso: é fundamental. Comento sobre este …

O troca-troca é sempre saudável e necessário em qualquer atividade produtiva, mas na imprensa, é mais do que isso: é fundamental. Comento sobre este assunto porque voltamos a viver um período de mudanças ou migrações de alguns profissionais conceituados de uma empresa para outra. Isso não ocorria com frequência há vários anos. Lembro que quando comecei no jornalismo essas trocas eram até normais, geralmente os veículos que pagavam menos ou tinham uma estrutura com deficiências, tornavam-se “formadores” de profissionais. Agora o momento é um pouco diferente.

Vou comentar apenas sobre quatro casos recentes da imprensa de Porto Alegre, como os do Nando Gross e do Marco Antônio Pereira, que saíram da poderosa Rádio Gaúcha para a Rádio Guaíba, mas também quero registrar a transferência do “papa” do rádio Sérgio Zambiasi da Farroupilha, do Grupo RBS para a Rádio Caiçara, da Rede Pampa e a mais recente, do Fabiano Baldasso, da Band RS para a Atlântida, também do Grupo RBS.

Não vou entrar no mérito da questão quanto aos motivos de cada mudança, mas estes fatos me animam. Por isso lembro que na década de 70, quando comecei, a Caldas Júnior era a toda poderosa e mandava no campinho com seu grupo formado pela potente Rádio Guaíba, com excelente programação e quase 80% de audiência, o tradicional Correio do Povo, a Folha da Tarde – que chegou a ter DUAS edições, algo raro no jornalismo sul-americano, pois tinha a edição normal e a Folha da Tarde Final. O ótimo Diário de Notícias, dos Associados, onde tive a honra de começar, já agonizava, o Jornal do Comércio andava meio estático e a RBS tinha uma Zero Hora vibrante, mas em estado de crescimento. E o grupo tentou variar, buscar outro público com o ousado jornal Hoje. Não deu muito certo, mas a RBS foi ousando, investindo e aprendendo… até derrubar a Caldas Júnior que, de certa forma, estava deitada nos louros.

Eu vivi esse período. Meu caso pode ser um exemplo dos benefícios do troca-troca. Eu iniciei no Diário de Notícias como estagiário a convite do colega de faculdade Sérgio Lotuffo, mas fiquei só um mês, pois o Roberto d”Azevedo me convidou para estagiar em Zero Hora. A grana até não era melhor – o básico de estagiário – mas o espaço, a repercussão e a oportunidade de conviver e aprender com algumas feras, era uma ótima vantagem. Nesse tempo fui presenciando algumas migrações de Zero Hora para a Folha da Manhã – na época o melhor jornal do Estado – com o Ruy Ostermann como diretor. Além de pagar melhor, a Caldas Júnior oferecia um jornalismo diferente. Quem não gostaria de ir para lá?

Depois de uma década a RBS cresceu, começou a aplicar novos conceitos administrativos, gerenciais, de comercialização (entro com os classificados) e também de jornalismo. E aos poucos o ciclo se reverteu: passou a conquistar os melhores profissionais da Caldas Júnior. Começou com o Ruy Ostermann, depois quase toda a equipe esportiva da rádio: Lauro Quadros, Ranzolin, Belmonte, Edegar Schmidt, Laerte De Francheschi – ficaram na Caldas os irmãos Martins, Lasier e Lupi. Da área impressa, depois da Copa da Argentina em 78, eu fiz parte de uma turma que tinha Cláudio Dienstmann, Mário Marcos de Souza, Eugênio Bortolon, Pedro Macedo, Nilson Souza, José Evaristo Villalobos/Nobrinho, o Albertinho e outros que não lembro agora.

A RBS passou a dominar o mercado, também por oferecer melhores salários e ter propostas de um jornalismo mais vibrante. Nesse caso, a saída de tanto profissionais da Caldas Júnior permitiu que alguns talentos em potencial ganhassem oportunidade. E essa movimentação do mercado também repercutiu nas outras emissoras de rádio e nos jornais que circulavam na semana ou de bairro, bem como nos veículos da Grande Porto Alegre e do Vale dos Sinos.  Então, o troca-troca é sempre esperado, pois como disse, estimula o mercado a evoluir, tanto na questão de conteúdo, pois quem chega sempre quer mostrar serviços, como no nível salarial: vai melhorar para alguém.

Então, que venham mais troca-trocas, seja no jornalismo, na publicidade, nas assessorias, pois ganham os profissionais, as empresas e o público.

Autor

Julio Sortica

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