Tudo bem, podem até me chamar de veterano, jurássico e talvez para alguns, até ultrapassado em alguns aspectos, mas quando se tratar de jornalismo, o que tento transmitir aqui é uma contribuição, uma lembrança em aspectos que na sua maioria, não mudam na comunicação. Afinal, fazem parte, do que poderíamos chamar “receita” e numa receita, alguns ingredientes são indispensáveis e “imutáveis”.
Destaco este aspecto para lembrar a importância de um integrante da cadeia jornalística que, no passado, era denominado de “pauteiro”, ou o jornalista – em alguns veículos existia até uma mini-equipe – responsável por pinçar aqui situações interessantes, curiosas, importantes e que poderia render uma boa reportagem/matéria. Ele era responsável por buscar, descobrir aqui e ali, fosse no noticiário paralelo, nas entrelinhas de uma conversa com os repórteres, nas sugestões de amigos ou das assessorias de imprensa, fatos, detalhes estimuladores de um raciocínio mais profundo para sugerir ao editor.
Os tempos mudaram, eu sei, a comunicação também, algumas funções foram abolidas – como o antigo copydesk, há, o quanto me foram úteis as orientações, puxões de orelha, sarcasmos etc. de dois excelentes copydeskes que tive em Zero Hora, o Luiz Vaz e o saudoso José Manosso. Bem, voltando ao pauteiro. Por questões de semântica, terminologia ou o diabo a quatro, o nome do pauteiro passou a ser mais sofisticado, em alguns veículos ele tornou-se o Coordenador de Produção. Lindo, não? Até parece terminologia de uma fábrica. Mas vá lá, pauteiro ou coordenador de produção, pouco importa o nome, mas a função e a mecânica de trabalho.
O bom pauteiro precisa ter algumas qualidades indispensáveis: “olhos de águia” para ver tudo e o mais “longe” possível, faro de cão de caça, ouvidos de padre, muita atenção e disposição para pesquisar – hoje o Google ajuda muito. Só assim poderá ficar antenado e poder sugerir boas pautas para o editor distribuir entre os repórteres.
Claro que tenho lido boas reportagens nos nossos jornais, assim como escutado outras no rádio e assistido televisão, sem contar a internet. Mas sinto falta da abordagem de alguns temas. Para não ficar tomando o lugar de algum “pauteiro”, vou citar um tema que merecia ter tido mais destaque e aprofundamento, comparativos na nossa mídia: orçamento das prefeituras do Rio Grande do Sul e dos principais clubes gaúchos.
Sei que eventualmente algum jornalista destacou um ou outro aspecto sobre estes temas – e talvez eu também tenha me “passado”, pois afinal, não há como acompanhar tudo. Esperei passar janeiro e nada. Entramos em fevereiro, passou o Carnaval e nada. Mesmo que essa pauta merecia ter sido debatida antes, pois todos os órgão públicos e mesmo os clubes, apresentam seus orçamentos com uma boa antecedência. Vou aguardar algo nesse sentido, principalmente porque muitos municípios tiveram que reestruturar seus planejamentos em função da crise financeira do país e, principalmente do Rio Grande do Sul. E os clubes também não ficam atrás.
A propósito, apenas por curiosidade, os orçamentos de Grêmio e Internacional, certamente são maiores do que a maioria dos municípios gaúchos. Mas alguém sabe se além da Capital e das cinco maiores cidades-polos – e exceto Triunfo, por causa do Polo Petroquímico –, quantas têm orçamento superior à dupla Gre-Nal? Bom proveito, pauteiros!!!

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