De certa forma, a notícia de que Zero Hora (impressa) vai unificar as edições de sábado e domingo em um produto do fim de semana, não me surpreendeu. Afinal, a gestão moderna pressupõe ajustes, redução de custos com troca de profissionais antigos e (caros?) por jovens mais baratos, assim como diminuição de despesas com reestruturação administrativa, logística etc. Em um primeiro momento, quem é empresário talvez dê total aprovação à RBS, mas e o leitor, o assinante, como fica? Será que pensaram nele antes de tomar esta decisão. Explico:
Zero Hora não vai perder muito, ou melhor, vai ganhar muito em termos financeiros se avaliarmos que toda uma cadeia de produção, do administrativo à distribuição, terão uma edição a menos para se dedicar. Obviamente que isso implica em redução de despesas. Sendo bem prático: para quem compra o jornal avulso são R$ 2,50 reais a menos. Mas para quem é assinante, haverá um recálculo do custo da assinatura? Afinal, serão 52 edições a menos e isso implica em um valor considerável.
A atitude mais honesta seria ZH fazer contato com todos os assinantes e dizer: “Caro parceiro, como ZH passará a ter apenas uma edição no final de semana, fizemos os cálculos e reduzimos o custo da sua assinatura em “X” reais. Obrigado por seu apoio”. Talvez isso aconteça, mas se não ocorrer, certamente haverá um grande contingente recorrendo a Procon em defesa dos seus direitos. Ou o pior, ficar irritado e cancelar a assinatura. Seria um desastre.
Do ponto de vista jornalístico ainda estou avaliando melhor para saber como será a mecânica de trabalho. Por exemplo, há muito tempo que o Grupo Sinos tem uma bela edição de fim de semana – ABC –, que substitui todos os títulos do grupo. Mas o ABC dominical dá gosto de ler, pois traz notícias atuais. Seu fechamento, assim como era em O Sul, onde atuei diretamente, só ocorria no sábado por volta da meia noite. Claro, a maior parte da edição era produzida de forma antecipada, mas pelo menos uma quinta parte do jornal era atualíssima. ZH e o Correio do Povo, só para citar dois jornais gaúchos, lançavam a edição dominical entre 16 e 18 horas, que era para aproveitar a presença do público nos supermercados – um dos grandes pontos de venda. Excepcionalmente mudavam essa estratégia em caso de eventos importantes.
Bem, jornalisticamente, espero que ZH Fim de Semana seja um jornal mais vibrante, mais atual, com muita coisa boa. Ou vão continuar lançando no sábado à tarde? Aguardo para ver se o jornalismo e o leitor também ganham ou se apenas a empresa.

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