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O irreverente, debochado e genial CQC vai fazer falta

A crise (ou mudanças) na comunicação nos surpreende a cada dia e nem sempre a notícia é positiva. O que era apenas um boato …

A crise (ou mudanças) na comunicação nos surpreende a cada dia e nem sempre a notícia é positiva. O que era apenas um boato há uns três meses, infelizmente se revelou verdade. A notícia da hora no setor (se é que não houve outra surpresa nesse meio tempo) foi a confirmação que o irreverente, debochado e genial CQC, da TV Bandeirantes, chega ao fim. O programa, uma parceria da Band com a produtora argentina Quatro Cabezas, estreou em 2008 e, por seu estilo, conquistou um público fiel, principalmente os jovens. Revelou alguns talentos, sofreu vários processos, mas deixou sua marca na televisão brasileira. No entanto, segundo informações extra-oficiais, a baixa audiência nos últimos meses determinou uma reavaliação por parte da Band.

Misturando jornalismo, telejornal, humor e denúncias, o CQC teve lugar cativo com vários quadros interessantes, mas principalmente a cobertura “política” em Brasília. Segundo revelou um dos apresentadores remanescentes, Marco Luque, havia pressão de alguns anunciantes quando alguma manifestação sobre alguma personalidade artística ou esportiva apoiada pela empresa era motivo de deboche. Coisas do ofício, mas que prejudicavam o perfil original do programa, que era ser sarcástico mesmo.

Para todos os efeitos, último programa, que agora tinha o ator Dan Stulbach como comandante, e dois colaboradores de maior peso como Marco Luque e Rafael Cortez, deixou saudades, manifestações de apoio, choro de participante (Marco Luque) e no ar uma vaga ideia dos motivos do “recesso”: a Band fez uma espécie de “retirada estratégica” para reavaliar os quadros, a composição, horário de apresentação e uma sondagem do mercado patrocinador. A tendência, no entanto, é de fim mesmo.

Para quem gosta de jornalismo mesclado com humor e reverência, o programa vai fazer falta. Mas quem sabe onde aperta calo é que troca de sapato. Muitos telespectadores ficam se perguntando: como é que programas ultrapassados, produzidos em cima da mesmice e com um perfil anfadonho como Esquenta, Domingão do Faustão, Eliana, Gugu Liberato, Rodrigo Faro, etc, continuam no ar. E o pior… parece que têm índices de audiência que satisfazem as emissoras e os patrocinadores.  Vá entender o gosto de sua majestade, o telespectador. Enfim, mesmo torcendo para que a Band reative o programa com algumas alterações, é difícil acreditar nessa hipótese. Assim, vamos dormir mais tristes neste final de ano.

Autor

Julio Sortica

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