É de conhecimento de toda a categoria de jornalistas que uma crise sem precedentes no setor de comunicação afeta a estabilidade dos profissionais nos seus empregos. E o atual momento não poupa nenhum setor, vai da mídia impressa à digital, pois recentemente recebi uma newsletter sobre essa situação, ressaltando que o site Terra resolveu mudar sua plataforma de atuação e demitiu mais de 60 profissionais. Por isso, a crise exige mobilização, ações efetivas e muita criatividade. Assim, faço um elogio a duas ações do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJors), mas, no final, darei um recado pessoal, sugerindo que se deva ir além do que está sendo feito.
O sindicato está com duas ações interessantes. Uma já envolveu reuniões e visa principalmente colegas que perderam seus empregos. Foi realizada na sede da entidade, no final de agosto, dia 26, a segunda reunião de jornalistas em busca de recolocação no mercado de trabalho. Na pauta do encontro esteve o encaminhamento das demandas do grupo à diretoria da entidade.
Diz uma nota que o pedido pela criação de um banco de currículos está sendo efetivado pelo sindicato, que já possui esta ferramenta em sua página na internet e irá reativá-la para atender às necessidades dos colegas. Assim que estiver atualizado, o banco poderá ser usado pelas empresas para divulgar oportunidades de trabalho e na busca por jornalistas. Os mesmos poderão acessar a página na busca por vagas e divulgação do seu perfil profissional.
Outra ação visa mais a qualificação e certamente vai ajudar os profissionais na busca de emprego. Confira: Fórum de assessoria de imprensa no setor público. O encontro será realizado nos dias 11 e 12 de setembro, em Porto Alegre, com o nome de 1° Fórum Gaúcho de Assessoria de Imprensa para o Setor Público. O evento faz parte da programação do Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Imprensa (Eejai), promovido pelo Sindicato dos Jornalistas. O fórum busca fomentar o debate sobre a formação de novos profissionais, além de abordar questões referentes ao posicionamento daqueles que já atuam no meio, tanto do ponto de vista ético como técnico, em função das exigências do mercado com o incremento de novas tecnologias.
Sem dúvida são ações elogiáveis, necessárias e indispensáveis. No entanto, creio que as entidades representativas dos jornalistas deveriam ir além, com ações mais efetivas tanto para a manutenção do mercado, mas como para sua própria ampliação. Se o mercado tradicional, que envolve veículos de comunicação passa por uma fase de reestruturação, com redução de vagas em função do emprego de novas tecnologias e foco em mercados específico, é preciso buscar novos caminhos. Não seria interessante que as entidades de classe organizassem encontros, contatos com os empregadores, sejam quais forem, empresas e entidades de outros segmentos?
Quero citar uma evolução no mercado, como o fato de que, atualmente, todas as prefeituras têm uma assessoria de imprensa, com no mínimo um profissional, mas em alguns casos com dezenas, conforme seu porte. Também verifiquei que clubes esportivos (de futebol e outros esportes) e federações também abriram centenas de vagas. Destaco, por exemplo, os casos de Grêmio e Inter, que hoje têm, em suas estruturas, mais de dez profissionais atuando em mídia impressa, rádio, TV, site e relacionamento. Sem dúvida, uma vitória para a categoria, pois há cerca de 15 anos estes clubes nem tinha setor de comunicação.
Assim, é preciso instigar o mercado, se mais incisivo, pois existem milhares de empresas por este estado que não usam os serviços de jornalistas. Muitas vezes o departamento de marketing ou a agência de publicidade suprem essa função, mas nem sempre com o devido preparo e a exigida eficiência. Então, mão à obra que a “Sapucaí não para”.

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