Recentes acontecimentos e manifestações sobre o futuro do jornalismo, tanto o impresso como o digital, deveriam estar causando preocupação ou, ao menos, uma profunda reflexão nos jornalistas. E principalmente nas entidades que os representam, por exemplo, os sindicatos, as associações como a Associação Riograndense de Imprensa – ARI e a Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj. Ah! E por que não, as faculdades de comunicação.
Dois diretores da Zero Hora, Marcelo Rech e Martha Gleich, participaram recentemente de eventos internacionais onde o futuro do jornalismo foi o tema principal. Para os setores comerciais e de marketing, as soluções ainda me parecem mais fáceis de serem encontradas, mas o que vai atrair o leitor, ouvinte, telespectador ou navegante para o segmento de notícias nos próximos anos. Certamente, a praticidade do veículo, a facilidade de transferência de informações, mas, na maioria dos casos e, especialmente no jornalismo impresso, a qualidade.
Antes da abertura do Festival de Publicidade de Gramado, outro especialista, este de um setor coirmão do jornalismo, a publicidade, destacou que o impresso agoniza e quem não se adaptar rapidamente ao novo ciclo, o da comunicação digital, vai ficar deslocado, fora do mercado. “É inegável e incontrolável o crescimento dos meios digitais, assim como é incontrolável a queda dos meios impressos”, afirma o publicitário Roberto Duailibi, presidente do 20º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, ao comentar o tema do evento nesta edição: “Ou você muda. Ou mudam você”, declarou ao portal Coletiva.
Diante deste quadro, é incontestável que o jornalismo está em uma encruzilhada e precisa decidir qual caminho seguir, ou melhor, não há escolha, mas sim, a necessidade urgente de mudar a preparação dos profissionais, bem como o modelo de gestão empresarial. Há o temor que o jornalismo transforme-se em uma atividade demasiadamente influenciada pela área comercial… Para alguns, por questão de sobrevivência; para outros, para manter os índices de lucratividade.
Independentemente de qual seja a postura dos patrões, os jornalistas precisam tomar consciência que a fase romântica já passou, não é possível manter o mesmo estilo de jornalismo de 50 anos atrás. Claro, a essência continua a mesma, com foco na verdade, mas tendo o bom senso de saber que nem tudo pode ser maravilhoso. A vida não é um conto de fadas e encontramos, aqui e ali, desafios, às vezes intransponíveis. O jornalista precisa saber que não poderá ser perfeito sempre, muitas vezes terá que ceder um pouco, aqui e ali, para continuar avançando.
Assim, espero que nos próximos meses, talvez no máximo em um ano, as entidades classistas mais fortes decidam promover um amplo debate sobre o futuro do jornalismo do ponto de vista dos jornalistas. E que não seja tarde demais para não provocar traumas nos mais antigos e nem deixar de preparar de forma adequada uma nova geração de profissionais que está ingressando no mercado e os futuros paladinos que ainda surgirão.

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