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O legado de O SUL  

Para quem, como eu, fez parte daquela maravilhosa e entusiasmada equipe que trabalhou desde o início do projeto do jornal O SUL, em março/abril …

Para quem, como eu, fez parte daquela maravilhosa e entusiasmada equipe que trabalhou desde o início do projeto do jornal O SUL, em março/abril de 2000, com lançamento em 2 de julho, fica um sentimento de tristeza com o fim da edição impressa. Claro que os tempos mudam e também precisamos avaliar a situação empresarial, se o produto não dá o retorno esperado é preciso encontrar soluções alternativas. O JB foi o primeiro grande jornal brasileiro a migrar para a internet. Só espero que essa decisão não implique em demissão de colegas. Seria mais um revés forte demais, com grande prejuízo para a categoria, com muitos prejuízos para a categoria. É preciso aguardar o desdobramento da questão para entender a dimensão das medidas, mas tenham certeza amigos, que este é mais um sinal a mostrar que a comunicação está mudando mesmo.

Mesmo que lamente o fim da edição impressa de O SUL, também me cabe analisar o legado que o jornal deixa para o setor. Fica a edição impressa em PDF, mas sem atualização constante, o que não o torna um jornal ágil e tão atraente ao leitor e ao anunciante. Por isso temo que seja apenas um estágio antes do encerramento final. As informações é que o parque gráfico será destinado a prestação de serviços para terceiros, mas isso garante o emprego de outra categoria, a dos gráficos. E os jornalistas? Esse é o temor: qual o verdadeiro futuro de O SUL

O legado pode ser avaliado de duas formas: uma positiva, pois foi bom para muita gente enquanto durou. O SUL, por sua dinâmica estrutural, pela filosofia implantada pelo Sr. Otávio Gadret, de não investir em reportagem, mas usar “a madeira pronta do Tumelero para construir a casa e fazer os móveis”, como dizia em algumas reuniões, justificava o uso quase pleno do material pronto das agências. Mesmo assim, O SUL dava oportunidade a que recém-formados e estagiários pudessem ter contato com o ambiente de uma redação, que pudessem aprender, mesmo sem as condições editoriais adequadas, um pouco sobre esse fascinante universo do jornalismo.

Não vou citar nomes, mas muitos profissionais que hoje fazem sucesso em grandes empresas de comunicação (jornais, rádios e TVs) do Brasil, tiveram seu “batismo de fogo” no jornal da Rede Pampa. Ali aprenderam alguma coisa útil para dar sequência ao seu aprendizado e formação. Por isso lamenta-se o término da edição impressa, porque mesmo torcendo pelo sucesso das novas medidas, sabemos que o cenário de jornais digitais é extremamente complicado e de difícil sucesso. Qual o legado nesse sentido? Não é possível saber agora, mas tenho certeza que seis meses serão suficientes para termos uma nova situação: ou vai em frente, ou termina de vez.

Isso nos faz pensar que estamos realmente entrando em uma nova era na comunicação, no segmento jornalismo. É preciso estudar, pesquisar e debater sobre quais são as soluções possíveis para que o jornalismo mesmo, aquele que amamos, não morra. Nada contra, mas li muita gente enaltecendo os blogs. Ora, escrever, dar opinião, qualquer um pode fazer, mas ser jornalista é mais, muito mais do que uma distração ou brinquedinho de horas vagas como muitos blogueiros fazem. Penso que seja a hora da categoria, por meio de suas entidades, discutirem seriamente essa questão: o futuro do jornalismo, principalmente o jornalismo impresso.

Por Julio Sortica

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Julio Sortica

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