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Jornalismo musical perdeu o espaço do Glênio Reis

A família da comunicação tem algumas nuances peculiares e um programa que, num primeiro momento não parece ser jornalístico – afinal, jornalismo não é …

A família da comunicação tem algumas nuances peculiares e um programa que, num primeiro momento não parece ser jornalístico – afinal, jornalismo não é apenas noticiário –, reserva um cenário altamente produtivo quando  sua produção envolve entrevistas e informações  e não apenas reproduz/toca música. Faço essa referência porque, passados sete meses da morte do radialista Glênio Reis, um dos grandes incentivadores da música gaúcha e brasileira, “morreu” também o espaço dos sábados à noite, que ele brilhantemente ocupava na grade da Rádio Gaúcha.

A solução, que eu entendia como provisória, era “espichar” a programação esportiva até que fosse encontrada uma alternativa para substituir o Glênio. Sem dúvida, a música popular brasileira e gaúcha perdeu um grande espaço, pois Glênio comandava um programa dinâmico, não apenas valorizando música de qualidade, como fazendo entrevistas antológicas. Cito, por exemplo, uma com o Cauby Peixoto, com Jair Rodrigues e Ângela Maria, além de cantores e compositores gaúchos.

Uma pena, pois rodando o dial do rádio, ou mesmo usando o controle da TV, encontro espaços para várias tendências musicais, do hip-hop, rap, nativista, jazz, rock, sertanejo, clássicos etc, mas nada de MPB ou MPG. Com se vê, há espaço para todas as tribos. Será que não seria possível suprir esta falta com uma nova programação ao estilo – de conteúdo – do Glênio?

Deixo aqui uma sugestão ao Cyro Silveira Martins Filho, gerente da Rádio Gaúcha, para que avalie a possibilidade de termos de volta a música e os músicos àquele espaço.  Temos ótimos profissionais com conhecimento de música que poderiam fazer um belo programa naquele horário.  Essa falta de espaço se reflete até mesmo no mercado para os músicos gaúchos, pois com divulgação reduzida fica mais difícil apresentar shows, lançar discos, promover a nossa música.  Há cerca de um mês li um artigo interessante, mas triste e preocupante que o Juarez Fonseca, um dos maiores  críticos musicais do Brasil escreveu na Zero Hora de sábado.

Ele relatava o desânimo de um músico gaúcho com a falta de espaço, apoio e incentivo para continuar lutando pela música. Não para ficar rico, mas ao menos divulgar o que se faz por aqui. Esse artigo me levou a escrever esta coluna quando lembrei que ficamos, de certa forma, órfãos musicais com a ida do Glênio para os “felizes campos de caça”, como diziam os índios da América do Norte quando alguém falecia. Saudades do Glênio e do seu dinamismo jornalístico.

Autor

Julio Sortica

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