Tenho visto algumas atrocidades, ingenuidades, falta de criatividade, incoerência e outros problemas na edição jornalísticas dos principais jornais e revistas nacionais. Sempre gostei da edição e, talvez por isso, lá por volta de 1975, eu era “foca” no Esporte de Zero Hora, mas lembro que, em certa ocasião, fui “encher o saco” do nosso editor, o Antônio Oliveira. Depois de observar por vários meses a repetição do que eu considerava uma falha jornalística, ou no mínimo, uma incoerência de edição, por exemplo: uma reportagem tratava de um problema que determinado jogador tinha e ainda sem solução. E lá estava uma foto do atleta sorridente. Pera aí, meu, como é que o cara tem um problema e está sorrindo? Não é hiena, nem masoquista!!!
Talvez esse problema ocorresse mais por uma falta de atenção na hora de editar, ou porque não havia uma foto atual, do dia, e uma “preguiça” em buscar algo mais adequado no arquivo. Também me deixava intrigado alguns títulos em vários setores do jornal, principalmente quando havia algum tipo de acusação. Lá estava a manchete: “Fulano nega envolvimento na fraude xxxx”. Ora, qual acusado seria imbecil em admitir a culpa em um roubo ou maracutaia? Era uma forma simplista demais de dar uma ideia do caso ao leitor. Ou falta de criatividade, imaginação ou mais “preguiça”. Em raras situações se poderia alegar falta de tempo. Mas esse tipo de manchete ou título tenho visto atualmente. Vou citar um, sem dar o nome do veículo: “Anastasia nega ter recebido dinheiro de doleiro”, referindo-se ao ex-governador de Minas Antônio Anastasia, citado de ter recebido um milhão na Operação Lava Jato. Alguém acha que ele iria admitir. Convenhamos! Não teria outro foco para destacar no título?
Pelo amor de Deus! Tentem ser mais criativos. A maioria dos editores está ali para isso, para pensar na criação da página, seja impressa ou em sites e blogs. É preciso ter cuidado com a elaboração dos títulos assim como na linha de apoio ou “olho”, que complementam a ideia do título e devem reforçar o interesse do leitor em seguir adiante. E aí vamos para as legendas. Estas, coitadas, são tão maltratadas que chega a dar dó. Conforme o perfil editorial do veículo, o tamanho da foto e o formato de legenda (em linha corrida abaixo da foto ou em um espaço ao lado) e o tipo de matéria, a legenda muda. Ela pode ser apenas de identificação (nome de pessoa, produto ou local), mas também deve complementar as demais informações do texto e não ser apenas uma repetição. E o que tenho visto de “assassinato” de legendas, chega a dar dó tal a incoerência ou a falta de sensibilidade de quem edita.
Depois de cometer muitos erros sim, mas com a consciência de sempre levar em conta quem me alertava, aprendi em mais de 30 anos de edição, que algumas regras são básicas: peça ao repórter que sugira um título. Não importa que ele faça de um tamanho fora do padrão, curto ou longo demais. O que interessa é a ideia, o foco. Muitas vezes o repórter têm o título perfeito; converse com o repórter, leia toda a matéria, se não achar um título bom, troque uma ideia rápida com algum colega. Isso pode ajudar. Uma palavrinha, por vezes, faz a diferença. E quanto à linha de apoio, é isso mesmo, é apoio ao título e não apenas um recurso gráfico para dimensionar o espaço. E por favor, não matem as legendas! Isso se aprende um pouco na faculdade, mas muito mais no dia a dia, na observação e na prática.
Ah! Vou aproveitar o espaço e fazer um elogio um tema que abordei em coluna anterior: pauta. Nesta terça-feira, ZH apresentou uma bela reportagem – “Quem bancou a campanha no RS”, focalizando um assunto interesse que foram as doações nas últimas eleições. O Marcelo Gonzato desenvolveu bem o assunto. Gostei. Não importa como surgiu a ideia, importa que o tema foi abordado. Parabéns.

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