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Falta mais jornalismo investigativo

Parabéns ao Giovani Grizotti, mas ainda falta mais jornalismo investigativo. Bom por um lado, ruim pelo outro. O jornalismo começou 2015 com mais uma …

Parabéns ao Giovani Grizotti, mas ainda falta mais jornalismo investigativo. Bom por um lado, ruim pelo outro. O jornalismo começou 2015 com mais uma reportagem investigativa bombástica do repórter Giovani Grizotti, da RBS, exibida no Fantástico do último domingo. Quando me refiro a bom, é para a valorização do jornalismo investigativo, e o ruim é porque a quantidade de canalhas aumenta a cada hora nesse país da impunidade.

Claro que o Grizotti merece todos os elogios, não apenas por esta, mas por inúmeras ótimas reportagens com esse perfil. Mas poderíamos ter mais, muito mais, pois ainda precisamos de mais jornalismo investigativo. Ele não acontece por dois motivos: falta de criatividade dos editores/chefes de reportagens e dos próprios repórteres, mas também, é principalmente por falta de interesse dos patrões.

Não vou me fixar na mídia nacional, pois constantemente jornais e revistas de grande porte como Folha de São Paulo, Estadão, Globo, JB, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Valor Econômico, Veja, Istoé, Época, Carta Capital e outras, fazem denúncias graves. Esse é um dos papéis da imprensa, denunciar, mas também, a partir de uma informação, de uma constatação, de deduções, pesquisar e descobrir as falcatruas.

Tenho percebido que, geralmente, as grandes reportagens surgem a partir de denúncias de fontes ligadas ao serviço público ou desafetos políticos. Raramente é por observação, comparação de dados, informações controversas  e a isso chamo falta de criatividade. Talvez porque as empresas de comunicação estejam sobrecarregando os jornalistas com pautas sobre “abobrinhas” e para vários veículos simultaneamente… Aí, meu irmão, não sobra tempo para ser criativo, observar, investigar e descobrir o fio da meada.

Um detalhe curioso foi ouvir de uma procuradora do Governo do Estado, que recentemente foi negada autorização para a compra de medicamentos especiais importados que superavam R$ 1 milhão o valor de outras fontes. Muito importante esse trabalho da procuradoria, mas porque cargas d’água não revelaram nada à imprensa? Será que fizeram uma denúncia ao CREMERS e à OAB? Por isso digo que falta criatividade para buscar uma informação. É preciso ter “faro” de repórter para encontrar pistas e descobrir os fatos.

Precisamos de mais jornalismo investigativo, mas também de investir na reportagem, valorizar os bons repórteres e não dar-lhes uma pauta mixuruca apenas para que “tenham o tempo ocupado”. Estou ansioso para saber como serão os debates no 10º Congresso de Jornalismo Investigativo, que vai acontecer de 2 a 4 de julho, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. A programação trará painéis de debates e oficinas práticas paralelamente. Ótimo evento, mas só achei que fica fora do alcance da maioria dos jornalistas de veículos mais modestos, pois as inscrições variam de R$ 215 a R$ 520… Toing!!!

Autor

Julio Sortica

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