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A “santa” pauta merece mais atenção

Por gosto e hábito profissional, sou viciado em “jornalismo” em todas as formas de mídia: rádio, TV, jornais e revistas, portais, blogs e até …

Por gosto e hábito profissional, sou viciado em “jornalismo” em todas as formas de mídia: rádio, TV, jornais e revistas, portais, blogs e até sites de entidades jurídicas, pois sempre há uma notícia interessante. O diabo é tempo para tudo isso. Por vezes, me dou conta que estou com o rádio e TV ligados e lendo o jornal, mas com o computador em ação.  E assim vou indo, “pescando” a notícia mais interessante. E muitas vezes deparo com a mesmice: uma igualdade e repetição de abordagens, principalmente no rádio. A justificativa é que nem todo mundo está todo tempo ligado e, por isso, é preciso recuperar a notícia e permitir que o ouvinte “daquele momento” também possa ser informado.  Há controvérsias! Pelo menos, no formato da apresentação.

Sinto falta de pautas mais diversificadas, melhor pensadas, mais pesquisadas, mais atenção a fatos que acontecem (ou não acontecem) e renderiam uma boa reportagem. Não tenho tido o convívio diário em uma equipe de Jornalismo para poder avaliar de forma mais precisa se o que ocorre é uma falha ou um “lapso”. Afinal, alguns veículos que também incorporaram a mídia digital pensam mais na atualização rápida, quase instantânea e oferecem uma informação básica, sem os detalhes que enriquecem uma matéria e prendem a atenção do leitor. Aqui, mais uma vez uma justificativa a qual não me convence: as pessoas têm cada vez menos tempo para ler e, por isso, as notícias precisam ser enxutas, diretas, sem muitos detalhes. Há controvérsias!

Há tempos, desde a consolidação do email, do SMS e agora WhatsApp, espero encontrar em alguns jornal ou revista uma reportagem sobre a atuação dos Correios, que, no passado,  tinham nas cartas seu maior volume de correspondência, tanto que os profissionais foram denominados de “carteiros”. E também nos telegramas e fonogramas. Hoje, com certeza, o que menos entregam são cartas. Digo cartas de pessoas para pessoas, cartas de parentes, amigos, de namorados, etc… e não cartas de escritórios de cobrança, de gabinetes de políticos (ainda usam, sim), ofertas de produtos ou serviços.

Quem será que ainda escreve cartas de amor? Ou pais saudosos escrevendo para os filhos em lugares distantes? Ou amigos contando novidades sobre suas vidas. Confesso que faz muito tempo que não recebo uma carta tradicional. Afinal, é mais rápido, fácil e sem custo mandar um email, SMS ou mensagem via WhatsApp. Por que alguém gastaria tempo em escrever linhas e mais linhas (inclusive as pessoas estão “aposentando” a escrita manual), ir a uma agência dos Correios e ainda pagar para mandar uma carta que vai levar dias para chegar ao destinatário?  Não há vantagens, exceto para os românticos, pois não há formato que substitua o significado afetivo, doloroso de uma carta escrita, seja à mão ou mesmo no computador.

Creio que algumas localidades do interior do Estado ainda preservem esse hábito… mas entre as pessoas com mais de 40, 50 anos. Mas logo isso também vai mudar. Assim, torço para que algum editor ou repórter leia esta coluna e ao menos coloque em discussão na reunião de pauta. Não para me agradar, pois eu gostaria de ler uma reportagem sobre este tema, mas quem sabe outros milhares de leitores também teriam interesse em saber como a carta tradicional está conceituada na sociedade moderna.

Ah! Para dar uma conotação mais “séria” e não se fixar apenas no aspecto sentimental, vale conferir com os Correios de que forma essa mudança de hábito impactou no faturamento da empresa: quanto representavam em termos de faturamento as cartas telegramas/fonogramas no passado e quanto representam hoje.  Esse tema abordado é apenas um lembrete para que o jornalismo continue valorizando a pauta e não deixe que o conteúdo da mídia seja pautado apenas por acontecimentos do momento. Muitas vezes, o momento é chato demais! Como em qualquer receita de sucesso, convém usar as medidas certas de cada ingrediente para que o produto final tenha qualidade.

Autor

Julio Sortica

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