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Jornalismo está no sangue…

Duas notícias nesta semana me deixaram um tanto chateado, um pouco desiludido com alguns fatos no jornalismo, um deles na reestruturação do Jornalismo da …

Duas notícias nesta semana me deixaram um tanto chateado, um pouco desiludido com alguns fatos no jornalismo, um deles na reestruturação do Jornalismo da Band e outro no julgamento do jogador Émerson Sheik, denunciado por três fatos graves no mesmo jogo: falta violenta, acusações graves com a CBF e ofensas ao árbitro. O STJD, com sede no Rio, foi “bonzinho” e até o jogador se surpreendeu com a suavidade da pena: foi punido com apenas quatro jogos por ofensas ao árbitro e absolvido da falta violente e criminosa contra um colega de profissão e pelas acusações contra a CBF – se fosse na Europa teria sido duramente punido, mas aqui foi considerado que ele tinha direito democrático de se manifestar. Ops!De se manifestar sim, criticar também , mas ofensas estão em outro patamar. No Brasil, a imprensa também “aliviou” nas críticas.

Para fazer o link com o título que escolhi, vi uma bela notícia, novamente aqui no Coletiva, da promoção  “Jornalista por um dia”, do Pioneiro, de Caxias do Sul. Vibro sempre com estas promoções e acho sensacional estimular os jovens a demonstrarem sua paixão pelo Jornalismo. Minha filha Juliana também participou de uma edição em Zero Hora e foi classificada com uma reportagem sobre o “El Nino”. Ela gosta de ler, de escrever, ficou entusiasmada, mas não fiz o menor esforço para incentivá-la a seguir carreira. Como ela gosta de ensinar, foi cursar Letras/Inglês e hoje  é professora na Quatrum.  Mas sei que, lá no fundo, ela gostaria que eu tivesse dado  um apoio para seguir na carreira jornalística. Eu gostava e gosto, cada vez mais, do Jornalismo, apesar de algumas decepções, da falta de valorização do piso miserável de R$ 1.995,00 em Porto Alegre – menos do que o piso de motorista de ônibus, com todo respeito à categoria, que conseguiram R$ 2.200,00.

Então, o que leva um jovem a interessar-se pelo Jornalismo? Eu acho que está no sangue, mas também tem toda magia dos relacionamentos, glamour dos contatos, de uma certa fama… mesmo que poucos consigam uma independência financeira.  O jornalismo, talvez como a medicina, são profissões que exigem dedicação, esforço e aprendizado constantes, mas o médico ainda consegue ter uma compensação financeira mais justa se for competente. O jornalista não tem essa mesma oportunidade, pois não basta ser competente. Eu conheço dezenas de colegas competentíssimos que chegaram ao final da carreira, depois de batalhar quase 40 anos, com uma miserável aposentadoria. Mas se perguntar a eles que profissão escolheriam hoje se pudessem recomeçar, a resposta vem clara e forte:  Jornalismo.

Putz! Não adianta, está no sangue e vai nos acompanhar sempre, apesar dos baixos salários, das condições nem sempre adequadas de trabalho e na falta de reconhecimento profissional por parte dos patrões. Mas lá dentro, num coração quente e pulsante parece haver um sorriso maroto dizendo que, ainda assim compensa porque, apesar de tudo, foi feito um belo trabalho. Parabéns a quem quer ser jornalista por um dia… e depois, por toda a vida.

Autor

Julio Sortica

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