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Boneca inflável, sexo e leitura

    Leio que a modelo francesa Victoria Wild gastou cerca de trinta mil euros, o equivalente a uns 144 mil reais, em plásticas pra …

    Leio que a modelo francesa Victoria Wild gastou cerca de trinta mil euros, o equivalente a uns 144 mil reais, em plásticas pra ficar igualzinha a uma boneca de inflar. É muito? Ela teria gasto muito mais se ainda tivesse que pagar uma lobotomia pra ficar mais parecida ainda. Isso não foi necessário por motivos óbvios.

            Ela acha que o sonho de toda mulher é ser como uma boneca de inflar. Não entendi direito o que ela disse, mas é algo como ser linda e desejada por todos os homens. Todos? Por favor, senhora Victoria, me tire da lista. Nunca desejei uma boneca de inflar, mesmo insubmissa.

            Por falar em sexo, esses tempos li também uma matéria sobre uma palestra do Contardo Calligaris: “O sexo, em suas palavras, não tem nada de natural. ‘É um evento cultural. Quanto mais cultura você tiver, mais vai se divertir. Pensem nisso quando tiverem preguiça de ler’.” Seria muito bom se isso fosse verdade. Mas basta ler as cenas de sexo descritas na maioria dos livros de autores muito cultos pra ver que se trata apenas de mais uma fantasia boboca.

Borges sobre Cortázar

            Borges, lamentando os artigos políticos de Cortázar: “Que pena que Cortázar escrevesse artigos. E que lindos seus contos”.

Vidente

            Faz um tempo recebo todo santo dia uns dois ou três e-mails de uma vidente me oferecendo uma consulta grátis. Se ela fosse competente, teria previsto que não consulto nem videntes pagas.

Dicionário do mau digitador

            Mamória. Autobiografia de um bebê.

            Ardornar-se. Enfeitar-se sensualmente.

            Entendiar. Compreender a chatice na própria carne.

            Artividades. Essas coisas que as aeromoças, pilotos e aves fazem.

            Costrume. Aquela merda a que já nos habituamos.

            Lesonja. Leitura de resenhas feitas pelos amigos. (Gracias, Roberto Silva.)

            Mexerrico. Fofoca sobre a elite.

            Memório. Autobiografia de macho.

            Despositar. Pôr o dote na conta do/a parceiro/a.

            Descupar. Pretexto pra tirar o seu da reta.

            Navia. Barca muito grande.

Umbu

            Em mais um erro clamoroso de digitação, escrevi umbuento. Era evidente: um unguento gaúcho. Como não achei muita graça nisso, fui dar uma olhada nos umbus e descobri que a folha dele, cozida, é usada no tratamento de sarna, por exemplo. Diacho, não foi um erro.

            Em tempo: as folhas devem ser aplicadas sobre as feridas, nunca ingeridas, porque dão diarreia.

Spam

            Como todo mundo, recebo um monte de propostas indecorosas, como aumentar o tamanho do pênis, como apimentar minha vida sexual, refazer o cadastro naquele banco em que nunca tive conta, tratar da calvície quando meus cabelos são poucos mas fieis, como emagrecer dez quilos sem fazer força, o segredo pra ser milionário, ver minhas fotos íntimas com uma tal de Aline e nem sei que mais. Mas sempre achei que faltava alguma coisa. Hoje descobri o que era. Enfim me ofereceram um curso de hipnose. Acho o máximo um curso de hipnose. Melhor só se for um que vi uma senhora dizendo que ia fazer: iquebanas e uvas de vidro. Posso me ver fazendo uvas de vidro pra descansar de sessões intensas de hipnotismo.

Livre iniciativa

            O mais gozado, entre os defensores da livre iniciativa, é a tendência deles de se sentirem livres pra iniciar um assédio às tetas do Estado.

Autor

Ernani Ssó

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