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Setembro, o meu mês do desgosto?

A julgar pelos últimos acontecimentos recheados de má sorte (não uso aquela palavra que é o sinônimo) que me perseguiram nos últimos dias, arrisco …

A julgar pelos últimos acontecimentos recheados de má sorte (não uso aquela palavra que é o sinônimo) que me perseguiram nos últimos dias, arrisco compartilhar com vocês que o mês de agosto ainda não terminou. Tanta encrenca pequeninha, tanto desencontro, tanto aparelho doméstico estragando, tanto atendente de mau humor. Fatos que terminam estragando os meus dias e até mesmo perturbando o sono da noite. E afastando a vontade de programar um lazer extra no final de semana. Dizem que agosto é o mês do cachorro louco, respaldado por alguns acontecimentos, e pressuponho que o meu está se arrastando mais do que o necessário (ops, perdão pelo gerúndio).

Vamos ver se ajudo a lembrar porque agosto carrega este apelido assim tão pouco carinhoso. A Primeira Guerra Mundial começou em 1º de agosto de 1914. Hiroshima e Nagasaki foram atacadas pelos norte-americanos com bombas nos dias 6 e 9 de agosto de 1945 (Segunda Guerra Mundial). Foi em agosto, no dia 2 de 1934, que Adolf Hitler se tornou o chefe de Estado da Alemanha. Comentam também que no oitavo mês do ano, a concentração de cadelas no cio aumenta bastante devido às condições climáticas. Evidente que, se as cachorrinhas entram no seu período fértil, os caninos ficam loucos (mesmo) e brigam para conquistar sua cadelinha. A busca feroz dos machos os deixa com raiva, doença transmitida pela saliva do bicho. Uma vez infectados pela raiva, os cães babam muito e ficam com aparência de loucos.

Mais, para reforçar a tese. Falam que é um mês dotado de muita energia negativa, carregado de superstição e magia. Foi em agosto que ocorreu o suicídio de Getúlio Vargas, a construção do Muro de Berlim, dividindo a Alemanha em duas partes e, no Brasil, o ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro no dia 22 de agosto de 1976. E como superstição pouca é bobagem, comentam, ainda, que no mês de agosto as mulheres portuguesas evitavam se casar porque essa era a época em que os navios de expedição saíam para explorar novas terras, e junto com elas os maridos das moças. Na Argentina, a crendice popular diz que lavar a cabeça em agosto não é aconselhável, porque se a pessoa faz isto está atraindo a morte.

No meu caso, vou resumir a pequenas encrencas que estão me fazendo amaldiçoar o mês de setembro e, provisoriamente, no meu calendário de 2014, classificá-lo como o do desgosto. No domingo de manhã, quando poderia dormir até mais tarde, um vizinho completamente embriagado bateu enganado na porta do meu apartamento e despertou os latidos do meu cachorro e, inevitavelmente, tirou o meu sono. Na segunda-feira, ao retornar do expediente, no final da tarde, cansada após um dia de trabalho de Expointer desde as 7h da manhã, decidi repor a água de 20 litros e, finalmente, tomar o banho dos justos para depois cair num cochilo. Para minha agonia total, ao sair do banho encontrei a cozinha toda alagada e parte da sala também. Em vez do descanso merecido, ganhei a faxina imediata da cozinha e da sala.

Ao chegar em casa na terça-feira de noite, o meu neto canino Dalai, contrariando a sua rotina habitual, não estava me esperando na porta, fazendo festa e abanando o seu rabo de felicidade ao me ver. O shih tzu, pelo contrário, se arrastava pela sala e nem tentava subir no sofá e pedir os carinhos e afetos que sempre lhe dedico. Mais uma vez, meu querido, o meu companheiro de todas as horas enfrenta uma otite que lhe torna totalmente apático e sem vontade de nada. Além de deixar o Dalai um animal com dor, tomando medicamentos e sem a sua alegria diária, o tratamento da otite mexe no meu orçamento. E nesta quarta-feira, mãe e a filha Gabriela, esqueceram a faxineira trancada dentro de casa.

São atropelos de última hora, despesas não previstas, contas extras e outros problemas que me invadiram neste início de setembro. Tomara que seja apenas passageiro. Que não dure mais do que uma semana. Que o mês não assuma o lugar de agosto. Porque, valei-me Nosso Senhor do Bonfim, é muita complicação para uma única pessoa em apenas quatro dias.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: [email protected]
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