Já se tornou um hábito em determinados momentos eu ficar em dificuldades (ou seriam dúvidas?) em encontrar um assunto interessante para abordar nesta coluna. Penso, repenso, leio, pesquiso e… nada. De repente, surge um bom tema. E quando estou pronto para desenvolvê-lo, aparece outro, tão ou mais interessante até. Para esta semana, a ideia surgiu depois de ler alguns comentários de grupos no site de relacionamentos profissionais LinkedIn: Comunicação Interna. Ótimo assunto, pensei. E fui fazer algumas rápidas consultas.
Aí surgiu a dúvida diante de uma queixa do candidato do PSOL Pedro Ruas no programa eleitoral na rádio e também assistir na TV. Ele reclama sobre o tratamento diferenciado dado pelas grandes empresas de comunicação na divulgação das ações dos candidatos dos partidos com menores índices nas pesquisas. Sim, eu ouço, leio e vejo a propaganda política nas mais diversas mídias, porque gosto de discutir sobre política e também para ter conteúdo profissional. Puxa, esse assunto também é muito interessante jornalisticamente e merece atenção, mas em outra coluna. Ah! Antecipo que não sou filiado a nenhum partido político.
Volto ao tema inicial, a Comunicação Interna. De fato, uma rápida pesquisa com alguns colegas assessores de imprensa ou de empresas de assessorias de comunicação revelou um fato, de certa forma, estarrecedor: menos de 10% das grandes corporações têm algum tipo de setor, departamento, divisão ou qualquer estrutura organizada para seu público interno. Muitas ainda vivem no tempo do mural e, no máximo, um email do Departamento de Recursos Humanos para comunicar determinadas ações ou decisões. E estas mesmas empresas possuem uma Assessoria de Comunicação, própria ou terceirizada, que dá grande atenção ao mercado… externo, relacionado aos clientes.
Não gosto da expressão “endomarketing” para caracterizar as relações internas de uma empresa. Prefiro mesmo a tradicional Comunicação Interna. Esta ganha uma amplitude, uma dimensão bem mais expressiva, pois o empresário não precisa fazer “marketing” com seu CORPO funcional. A palavra em caixa alta (ops) ou maiúscula é proposital, pois uma empresa é como um corpo, formada por partes (membros) que, juntos, formam um organismo vivo. E para que esse corpo funcione bem é preciso existir integração, harmonia entre todos.
Desta forma, uma empresa bem organizada precisa saber se comunicar com todos os seus funcionários e a melhor forma é ter uma estrutura de Comunicação Interna que envolva várias formas de relacionamento. Vale manter o antigo e tradicional mural em determinados setores, o boletim/jornal interno, um site próprio, assim como é importante valorizar o email, um sistema de intranet, o Facebook, WhatsApp e outras mídias sociais que, eventualmente, foram desenvolvidas. Claro que essa estrutura deverá ser implantada de acordo com a capacidade financeira de investir em uma equipe de profissionais. Fazer o possível com o que tiver de recursos.
Desta forma, além de melhorar sua relação com os funcionários, criando um clima que estimula a interação, também contribui para ampliar o mercado de trabalho. O problema é que muitas empresas fazem escolhas equivocadas e não valorizam a Comunicação Interna, preferindo transferir todas as responsabilidades para o RH, que tem funções importantes, mas não é especialista em Comunicação. Fica aqui a sugestão para que as entidades classistas, como os sindicatos. Estimulem as empresas a criarem um setor específico para essa atividade, levando em conta ao menos um legado que nos deixou Chacrinha, o Velho Guerreiro: “Quem não se comunica, se trumbica!”

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