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Critérios para escolher manchetes

Um artigo do Luis Fernando Verissimo em ZH da última terça-feira, 22, me deixou realmente intrigado com os critérios para a escolha das notícias …

Um artigo do Luis Fernando Verissimo em ZH da última terça-feira, 22, me deixou realmente intrigado com os critérios para a escolha das notícias que serão destacadas na capa de jornais e revistas. O que é mais importante para definir o que vai ser “vendido” ao leitor? O questionamento do Verissimo foi pertinente porque ele elencou uma série de notícias importantíssimas dentro do contexto geral (econômico, político, etc.) que foram preteridas para aproveitamento de informações sobre a Copa do Mundo. 

É verdade, na maioria dos jornais brasileiros de grande porte as notícias sobre a Copa do Mundo e a Seleção Brasileira monopolizaram os espaços. Em alguns casos até beiraram o exagero. E muitas, mas muitas notícias importantes ficaram relegadas a um segundo plano e, certamente, poucos leitores foram “vasculhar” as páginas para encontrá-las – exceto quem tivesse interesse direto no tema. O caso do Riocentro, por exemplo. E mesmo que não houvesse a Copa, como escolher as melhores chamadas?

Em defesa dos espaços generosos para o futebol mundial, alguém vai argumentar que o evento só ocorre de quatro em quatro anos e que certamente não voltará a ser disputado no Brasil antes de 60, 70 anos. Pode ser… mas é uma justificativa fajuta. Acho que seria perfeitamente administrável uma distribuição mais equilibrada dos espaços. Mesmo assim acho que vale “chorar sobre o leite derramado” para que o assunto não seja esquecido quando houver outro evento ou fato de tal importância, mas que não precisa ter a exclusividade das manchetes.

Essa questão remete a um velho dilema: quais os critérios para escolher corretamente a melhor notícia. Veríssimo lembra sobre as preferências, conhecimento e o feeling do editor; mas também leva em conta o perfil da publicação.  Há casos de jornais com perfil editorial mais forte em economia que não deixaram de dar importância a fatos relevantes, como ocorreu com o Jornal do Comércio, Valor Econômico e outros – mas também destacaram a Copa do Mundo.

Na grande mídia a escolha das manchetes é assunto discutido na reunião do editores para posterior sanção do diretor-editor ou cargo equivalente. Claro que dependendo do assunto a alta direção dos veículos interfere. Todos sabem disso. Não é uma questão de estar certo ou errado, é uma questão de foco, de interesse. E muitas vezes os interesses grupais são mais importantes do que notícias que tratam de outros temas. Só não é possível deixar de destacar tragédias, decisões impactantes ou que venham interferir na vida de milhões de pessoas. O como se costuma dizer: não há como brigar com a notícia.

Agora, o leitor/assinante tem todo o direito de reclamar, escrever ou fazer contato com o veículo e dar sua opinião. Isso é importante para que os jornalistas saibam que precisam desenvolver certo sexto sentido e captar as aspirações daqueles  para os quais dedicam seu trabalho.

Autor

Julio Sortica

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