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Profissionais “paraquedistas”, você aceita?

Mais uma vez uma notícia publicada no site Coletiva.net foi decisiva para escolher um tema jornalístico e desenvolver neste espaço nobre. E para abrir …

Mais uma vez uma notícia publicada no site Coletiva.net foi decisiva para escolher um tema jornalístico e desenvolver neste espaço nobre. E para abrir o debate a pergunta que faço se enquadra totalmente no assunto em questão: você, jornalista, gostaria de ser habilitado a exercer a atividade de advogado, mesmo não sendo formado em Direito? Mas afinal, porque não? Qual o problema se você é bom de oratória, argumentação e conhece quase tudo o que é preciso para exercer esta profissão?

Ou então, quem sabe você pode ser contratado como economista mesmo sem ter cursado Economia. Você, como todo mundo, entende de economia porque é inteligente, lê muito, sabe fazer contas, gosta do assunto. Porque não?

Pois é, não faz muito tempo alguém entendeu que para ser jornalista o profissional não precisava de diploma de faculdade. Afinal, o cara sabia se expressar bem, escrevia com talento e, além de tudo, também era amigo do dono da empresa de comunicação. Pronto, estava com vaga garantida. Diploma? Quem precisa de diploma? E a porcaria de autorização foi dada. Centenas de jormalistas-paraquedistas invadiram o mercado, não apenas tomando o lugar de jornalistas formados, que investiram tempo e dinheiro para se dedicar a uma profissão nobre, mas que vem sendo constantemente vilependiada.

Trato deste tema agora porque li no Coletiva que a abertura da profissão de Relações Públicas vai pautar um debate ferrenho e necessário para a dignidade dos RPs. Essa proposta que flexibiliza a concessão de registro profissional gera polêmica entre a categoria. Mais uma ação de profissionais-paraquedistas está por acontecer porque algum engraçadinho entendeu que isso pode ser feito sem prejuízo da categoria. Ora, é nos fazer de trouxas. Então que se fechem as faculdades de determinadas áreas, pois, assim, pelo menos os estudantes não vão gastar em um curso que não lhes garante a segurança de ter “invasores” autorizados como concorrentes.

Não importa o argumento de quem apoia essa iniciativa. No caso do jornalismo, principalmente o esportivo, cada vez mais as empresas de comunicação, sob o pretexto de oferecer algo novo e atrativo aos leitores/espectadores/ouvintes, convidam “paraquedistas” para compor seus quadros de comentaristas. Assim temos vários ex-jogadores, que até eram bons profissionais, entendem do assunto, mas quando abrem a boca para comentar, mal sabem se expressar, cometem erros de concordância, de estruturação de pensamento e outros.

Se antes já havia uma “invasão” de ex-árbitros para comentar jogos, agora “liberou geral”, “vale tudo” para tentar aumentar um pouco a audiência. Alguns ex-atletas, mais conscientes, decidiram aproveitar esta onda, mas cursaram Jornalismo, como foram os casos de Robson Caetano e Glenda Kosloswki, mas outros são terríveis. Quem aguenta o Casagrande comentando. É de doer. Até parece que ser comentarista é fazer arroz. Parece fácil, todo mundo entende, de futebol e depois que passa a ser dono do microfone ou de uma coluna – sei de um grande jogador que virou comentarista e colunista, mas tinha um ghostwriter, porque não sabia escrever. Mas assinava a coluna na maior cara de pau. Se ainda usasse aquele subterfúgio adotado por ZH quando eu entrevistava o goleiro Leão para fazer sua coluna na Copa da Espanha, até vale: Depoimento a fulano de tal…

Caros amigos e colegas. Deu para entender que sou ferrenho defensor do diploma profissional… ou então, que se coloque cadeado na porta das faculdades de Comunicação. Seria mais justo, honesto, embora terrível. Assim, colegas RPs, rebelai-vos! Uni-vos e lutem enquanto for possível para não permitir mais esta “invasão”. Quer ser jornalista, vá estudar Jornalismo! Quer ser RP, vá estudar Relações Públicas. Senão, vou me candidatar a ser árbitro de futebol, advogado, economista, etc.

Autor

Julio Sortica

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