Colunas

Complementos indispensáveis

O tema do qual trato hoje está relacionado à repercussão da coluna anterior, onde eu dizia que gostaria de cursar Jornalismo agora, motivado por …

O tema do qual trato hoje está relacionado à repercussão da coluna anterior, onde eu dizia que gostaria de cursar Jornalismo agora, motivado por uma série de circunstâncias positivas que envolvem a formação profissional e que não existiam no passado. Pois foi uma grata surpresa receber o telefonema do professor Mário Rocha, da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação – ainda não sei por que a Ufrgs não reestruturou o setor, desmembrando a Faculdade de Comunicação da Biblioteconomia), convidando-me para falar aos estudantes do último ano de Jornalismo sobre motivação, empreendedorismo, iniciativas, etc. Ele constatou que alguns formandos precisam de uma injeção de ânimo e um estímulo nessa fase de transição em um mercado em constante mudanças e extremamente competitivo.

Palestra agendada para terça-feira, 27, procurei explicar o quê me motiva passados 40 anos do início da formação. A uma plateia atenta de mais de 20 estudantes, relatei que considerava o convite um presente especial para comemorar uma trajetória que começou numa sala modesta da Estação Rodoviária onde estava instalada a redação do Expresso Zona Norte (EZN), do Vaz, do Profes e do Vidal de Negreiros. Daquele início tímido do (talvez) mais antigo jornal de bairro de Porto Alegre, parti para um voo mais ousado quando o Sérgio Lotuffo, colega da Fabico me indicou para uma vaga de setorista do Internacional no extinto Diário de Notícias, lá na São Pedro. Era muito foca mesmo, tendo feito poucos trabalhos para o EZN. Mas encarei o desafio porque achava que aquela era a chance da minha vida. Quem sabe quando iria surgir outra. E se eu falhasse outro ocuparia meu lugar.

Fui muito bem recebido pelo editor Eloidi Rodrigues. Gostei tanto que procurei me informar sobre tudo o que acontecia no futebol, pesquisar em arquivos de jornais (ah! Se tivesse internet, Google etc…), ouvir rádio, prestar atenção em como atuavam “cobras” como João Carlos Belmonte, Edegar Schmidt, Valtair Santos, Dani Griss, Lupi Martins, Cláudio Brito, Wianey Carlet (que começava na Rádio Difusora), Jodoé Souza, Fernando Goulart, Cláudio Dienstmann e outros tantos colegas competentes. Acho que fui aprovado porque um mês depois, em novembro de 1974, Roberto D’Azevedo, que já trabalhava na equipe de Zero Hora, me convidou para estagiar no Esporte. Tremi, afinal, com um semestre de curso eu já iria conviver com “feras” do jornalismo esportivo.

Nova vitória porque o editor de Esportes, o bonachão Antônio Oliveira (hoje na TVE), também me recebeu muito bem e tive todo apoio de outros colegas como Mauro Toralles (Boró), Paulo Burd e Ayres Cerutti, e pude aprender, crescer, mesmo ainda em início de formação. Esse processo de formação foi curioso, invertido: eu aprendi na prática antes de ter a teoria. Não é o correto, mas deu certo. Então, retomando o fio da meada, procurei explicar aos estudantes de hoje que as condições para a formação dos profissionais de comunicação, entre estes, os jornalistas, hoje são muito melhores do que naquela época. Há uma série de vantagens que complementam um currículo ainda muito burocrático. A disciplina do Márcio Rocha já mostra uma evolução: Jornalismo e Administração. Isso é muito importante em uma época onde os profissionais podem optar por uma carreira como empregados de uma empresa de comunicação ou ter seu próprio negócio. Mas é preciso saber como dar cada o passo para não tropeçar.

Feito este (imenso) preâmbulo, abordo a questão que me motivou o tema desta coluna: os indispensáveis complementos na formação profissional. Na palestra expliquei que, a exemplo de outras profissões, o jornalista está em permanente processo de aprendizado. E deve aproveitar todos os cursos, palestras, seminários, workshops, convidado ou se convidando, para aprender, atualizar-se. Como citei na coluna anterior, não existiam atividades complementares no passado. E hoje, novamente me valho de notícia no Coletiva.net para citar mais um exemplo de iniciativa importante: o Sindicato dos Jornalistas de Porto Alegre, através de uma parceria com o Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar (BOE), está oferecendo um treinamento especial para jornalistas, cujo objetivo é capacitar profissionais para atuarem em situações de conflito. Interessa? Então vá a luta. O conteúdo é muito valioso e as vagas são limitadas.

Autor

Julio Sortica

Compartilhar:

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Relacionados

CADASTRE-SE
Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!

Aviso: se você optou por parar de receber nossos e-mails e deseja voltar à nossa lista, ou está com dificuldades para se cadastrar, entre em contato com a Redação pelo formulário Fale Conosco e informe seu nome e o e-mail que deseja incluir.