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Eu queria estudar jornalismo agora

Passados cerca de 40 anos do início do meu aprendizado no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo Gráfico e Audiovisual – é …

Passados cerca de 40 anos do início do meu aprendizado no curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo Gráfico e Audiovisual – é assim mesmo que está no diploma –, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e refazendo esse caminho, admito que sinto uma inveja dos estudantes de Jornalismo de hoje. É, inveja mesmo! Mas uma inveja boa. E se possível fosse, gostaria de estar (re)começando essa trajetória agora. Quanto há por aprender, quantas formas novas disponíveis para escolher, quantas opções para aprimorar um aprendizado consistente. Basta ter vontade, disposição. O conhecimento mais aprofundado está aí, dentro e fora das faculdades como uma maré de novidades, ocupando os espaços.

Ah! Que tempos complicados para se aprender naqueles anos 1970. Principalmente na Ufrgs. Não há razão para saudosismo! Com raras exceções, o nível do corpo docente era fraco, a infraestrutura pedagógica-funcional extremamente precária e as instalações, deficitárias. Como aprender o que se deveria aprender. Só mesmo com muito esforço e dedicação, ou como a maioria fez, ali, no dia-a-dia das redações.  Pelo menos para compensar a escassez de tecnologia (e metodologia), um sonhador estudante dos primeiros semestres podia começar sua carreira como estagiário. E aprender ali, num jornal de médio ou grande porte. Essa foi a minha salvação e a de outros tantos colegas.

Muitos devem achar que exagero nas críticas. Não. Nessa área a Ufrgs era fraca mesmo. E vou citar três exemplos de deficiências: 1) Quando precisávamos aprender sobre TV, íamos onde? Pedir penico em um estúdio da Famecos para umas míseras aulas práticas; 2)fotografia? Uma câmera para 10 alunos e um passeio pela Redenção para tentar fazer algumas fotos e depois disputar espaço no acanhado laboratório da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação). Não sei por que ainda não desmembraram os dois cursos… alguém deve achar que existe uma relação muito estreita entre ambos. Será? 3) O nome da disciplina no currículo era Edição… eu disse… EDIÇÃO. Mas o professor, coitado, talvez cansasse muito na sua atividade profissional principal, uma assessoria no serviço público e resolveu “facilitar” o desenvolvimento nessa área tão importante no Jornalismo. Por isso, não ia exigir demais dos alunos. E sentenciava: “Leiam este livro e depois me tragam um resumo”.

Como cara-pálida? A disciplina é EDIÇÃO, uma área fantástica, sei lá, talvez a mais interessante do Jornalismo depois da reportagem. E ao invés de ensinar como fazer títulos, legendas, interpretar a qualidade de um texto e definir se era uma matéria importante ou secundária, o cara nos manda “resumir” um livro. Mas nem que fosse “Incidente em Antares”! Nenhum livro poderia substituir todo o conhecimento que um estudante precisa ter de edição. E nem vou falar das importantes aulas de rádio… ih! Ih! Ih! Lembro vagamente que fui a uma, eu disse UMA… e não uma aula, mas uma visita à Rádio da Universidade como se fosse um estudante de segundo grau naqueles passeios científicos. E deu. Palestras de jornalistas mais experientes? Seminários? Visitas às redações de rádios, jornais e TVs. Nadica de nada.  A pau e corda conseguimos fazer um, eu disse UM exemplar de jornal-laboratório, o Três Por Quatro (ou seria 3×4?). Pode?

Bem… deixa o passado pra lá e vamos nos deter no presente. E se critico o que passou, quero elogiar o que acontece hoje dentro e fora das faculdades de Jornalismo. Além de professores que foram repórteres/editores – pelo menos a maioria -, profissionais que viveram o ambiente de uma redação ou de uma assessoria, há melhores condições físicas, de equipamentos para que as atividades práticas consolidem um aprendizado teórico. Mas, além disso, há cursos complementares, seminários, palestras, encontros contato com profissionais experientes – como a Semana de Jornalismo Esportivo na Fabico, que me inspirou a escrever esta coluna. Isso é muito importante e lembro que fui um dos precursores dos cursos de extensão. Em 1990, a convite do jornalista Miro Bacin, coordenador do Departamento de Jornalismo da Unisinos, dei início ao I Curso de Extensão em Jornalismo Esportivo, que teve três edições. Depois outros colegas, em parceria com emissoras de rádio, deram sequência ao modelo. Hoje, há vários cursos em muitas faculdades.

Todas as formas adicionais de ensino são ótimas como experiência e complemento ao aprendizado. Ah! Sem contar que hoje é comum os estudantes aprenderam outros idiomas ou outras atividades ligadas às comunicações. É fácil “bater fotos”, mas para ser um bom fotógrafo é preciso mais que vontade e uma máquina boa. É preciso ter talento, “feeling”. Mas este é outro assunto que abordarei no futuro. Ainda nem falei nos cursos de Pós-Graduação, Mestrado, Doutorado… só falta começarem a oferecer o curso de Deusado. O que vem a ser isso? Bem, como bem diz o nome, um curso para o profissional se tornar um DEUS naquela área.

De qualquer forma, vale o que eu disse no início: eu queria começar a estudar agora e ter todas essas tecnologias e formas variadas de complementos para tornar meu aprendizado mais consistente. Certamente eu seria um jornalista melhor preparado no futuro. Então, um conselho para quem está começando: aproveite todas as oportunidades de aprender, de crescer profissionalmente. Isso será fundamental para o sucesso na carreira. 

Autor

Julio Sortica

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