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Blogs: qual o limite da responsabilidade?

O jornalismo é dinâmico e, de tempos em tempos, uma novidade surge para sacudir o setor. Em tempo de mídias sociais e jornalismo eletrônico …

O jornalismo é dinâmico e, de tempos em tempos, uma novidade surge para sacudir o setor. Em tempo de mídias sociais e jornalismo eletrônico independente, um integrante dessa cadeia ganha grande dimensão: o blog. É fácil ser blogueiro de qualquer coisa, da vida mundana à mais extrema religiosidade. Com poucos trocados, qualquer um pode criar um blog e estabelecer seu próprio código de ética e de conduta, criticar A, B ou C e sentir-se imune às reações dos mais diversos setores classistas. As normas da atividade profissional do blogueiro não precisam estar vinculadas a uma empresa ou entidade. Ah! Um blogueiro pode até estar “fazendo jornalismo”… sem ser jornalista de formação.

A questão não é sugerir o debate entre o certo ou errado, mas o caso envolvendo o jovem blogueiro Rodrigo Grassi Pilha (que dizem ser jornalista) e o senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, serve para ilustrar bem uma questão: qual o limite da responsabilidade jornalística dos blogs?

Rodrigo, responsável pelo blog Botandopilha, foi preso em 6 de maio, pela polícia do Senado, por fazer algumas perguntas que não agradaram ao senador Aloysio Nunes Ferreira. Os questionamentos foram sobre quais são as funções de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e por que o governo de São Paulo então bloqueou diversas delas, que possuíam grande interesse público. A gota d’água foi quando Pilha questionou a suposta participação do parlamentar no escândalo do chamado “trensalão tucano”. Aloysio Ferreira Nunes estão começou a xingar o jovem, que é declaradamente militante de esquerda.

“Vai a PQP, vagabundo!”, disse o senador Aloysio Nunes, que não gostou de ser questionado sobre o cartel dos trens e seu suposto envolvimento com o caso Alstom-Siemens. Perguntar não ofende, faz parte do jogo democrático e do próprio espírito jornalístico, alegam os defensores da liberdade de imprensa. Outros entendem que faltou respeito do blogueiro. Faltou mesmo? Vários sites e blogs que consultei sobre o tema apresentaram versões diferentes: os blogs de militantes de esquerda (o que significa mesmo esquerda hoje?) condenaram a atitude do senador. Alguns jornais e outros blogs alegam que o blogueiro estava a serviço de outra corrente partidária. Enfim, entre mortos e feridos, venceu a democracia. O jovem publicou o vídeo e o assunto ganhou repercussão. Mesmo com os percalços ocorridos o fato foi positivo para o jornalismo.

Mas e a responsabilidade do blogueiro citado? Bem, cabe agora ao senador acionar a Justiça caso entenda que merece algum reparo. E que a Justiça julgue. O que me intriga no caso dos blogs é algo que o jornalismo sério abomina: a falta de isenção. Independente de um fato ocorrido, o que vamos ler são versões, ou a favor ou contra. Não que eu seja contra a tomada de posição, sou, sobretudo, partidário da verdade. Então, vivam os blogs com responsabilidade, que tem como base a verdade pura e simples e não uma verdade que muda conforme a ideologia ou o partido dos envolvidos.

Esse assunto é muito bom para terminar por aqui, pois os blogs vão continuar em evidência e mesmo com grande presença de “leigos”, merecem um capítulo à parte no ensino do jornalismo. 

Autor

Julio Sortica

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