Causou surpresa em alguns colegas e leitores as mudanças em Zero Hora. Alguns gostaram um pouco, outros um pouco mais e houve quem detestasse – porque estava acostumado a ler o jornal de um determinado jeito, sabia onde encontrar suas seções favoritas. Entendo a reação inicial, mas nada que alguns dias ou no máximo semanas de manuseio não resolvam. Eu gostei. No jornalismo, sou favorável às mudanças mais cíclicas, não necessariamente radicais, para não cutucar onça com vara curta. Mas acho que se torna necessário de tempos em tempos provocar, “cutucar” o leitor para saber como ele está avaliando o produto.
Eu gostei porque, desta vez, ZH foi além de tirar ou colocar fios e caixas em cartolas ou mudar a fonte das letras. O ajuste foi bem mais profundo, com a eliminação das tradicionais seções e concentrando em alguns “guarda-chuvas”. Sem dúvida, o jornal ficou mais limpo, agradável de ler. Claro que vamos encontrar alguns detalhes que poderiam ser melhorados. Mas são detalhes. E creio – isso sempre ocorre – que depois de alguns meses de avaliação serão feitos ajustes em algumas áreas.
Se do ponto de vista gráfico, visual, aprovei, também é fundamental ressaltar que naquilo que é mais importante, o conteúdo, também notei progressos. Principalmente, na edição dominical. Boas reportagens e algumas novidades editoriais. Esse é o caminho certo: mudar para continuar mantendo seus leitores e, quem sabe, conquistar outros que andam encantados com mídia digital.
Uma boa notícia: muitos colunistas novos. Tenho certeza que essa iniciativa vai dar uma oxigenada em ideias. Mas continuo achando que os jornais pecam em não abrir espaço para colunistas e colaboradores mais jovens. Tudo bem, também já sou de meia ou sei lá que idade, e quero meu lugar ao sol. Mas há gente jovem por aí com talento e pedindo passagem. Se acharem arriscado dar uma coluna permanente, mesmo que semanal, abram ao menos para artigos eventuais. Para ir sentindo o potencial de cada um.
Na capital, dois outros jornais diários já passaram por reformas, o JC e o Correio do Povo. Falta O Sul, mas, principalmente, o Diário Gaúcho. Desculpe, mas gosto é gosto e não consigo gostar o DG. Não por ser popular, mas o seu estilo me causa um certo sufocamento. Parece que tudo está apertadinho ali, a notícia até querendo “escapar” de uma espécie de prisão jornalística. Mesmo que seu público seja diferente, o DG está consolidado, mas nenhum líder pode ficar acomodado, senão…

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