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O valor das agências de comunicação

A inspiração para abordar este tema em uma coluna surgiu recentemente, quando fui convidado pela Eliana Camejo Comunicação Empresarial para uma apresentação dos planos …

A inspiração para abordar este tema em uma coluna surgiu recentemente, quando fui convidado pela Eliana Camejo Comunicação Empresarial para uma apresentação dos planos de modernização do Rua da Praia Shopping. Apesar do horário marcado (19h), imaginei que os principais veículos e, talvez, os jornais de bairro e alguns blogueiros estariam presentes. Os executivos e a agência de propaganda iriam revelar informações importantes sobre investimentos e ações de interesse dos consumidores. Mas creio ter sido o único presente, fisicamente falando. Talvez, o email com o release enviado aos jornalistas tenha sido suficiente e bem aproveitado – não tive como mensusar isso.

Porém, ao comentar sobre a ausência de repórteres com a diretora da Camejo, senti um misto de tristeza e certa decepção com a pouca valorização dos veículos e de colegas jornalistas com o importante trabalho das agências – ou se preferirem, assessorias de comunicação empresarial, organizacional, ou corporativa. “O pessoal parece que ainda não leva a sério o nosso trabalho”, foi a queixa. De tanto receber emails para coletivas, lançamentos e outros eventos, tenho observado a evolução desse segmento jornalístico, avaliado sua importância para a comunicação, mas também percebo certa discriminação com o trabalho desenvolvido por muitas empresas no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Para poder dar uma dimensão mais realista da importância da comunicação corporativa, busquei dados de apoio com minha amiga Martha Becker, que já foi diretora da Abracom – Associação Brasileira de Agências de Comunicação. Ela me encaminhou ao presidente executivo Carlos Henrique Carvalho, que revelou dados surpreendentes: “Temos trabalhado com estimativa de existência de cerca de 800 empresas de comunicação corporativa no País, com a geração aproximada de 14 mil postos de trabalho”. Deste total, mais da metade são jornalistas, mas há também publicitários, RPs, designers e, naturalmente, pessoal administrativo.

Diante deste quadro é impossível não reconhecer a importância que as agências passaram a ter dentro da comunicação nos últimos anos. Tenho minha opinião sobre essa atividade, talvez a única que ainda não tenha desempenhado de forma sistemática como integrante de uma equipe. Individualmente, já fiz assessoria de divulgação para a Consumidor Teste, para a Construsul e outros eventos. Talvez, eu tenha tido mais sorte, porque, ao fazer visitas às redações, encontrava colegas conhecidos e, na maioria das vezes, o retorno foi positivo.

Mas sei que nem sempre é assim com todos. Muitos colegas de nariz empinado olham o trabalho das assessorias com um certo descrédito, um desdém injustificado. Talvez não entendam que as agências desempenham atividades intermediárias importantes: facilitar o trabalho do jornalismo diário, encurtar espaços, indicar fatos e fontes, poupar tempo em pesquisa e busca de dados. No passado, quando um assessor chegava na redação para entregar um release, uma nota, fazer um convite, o comentário quase sempre era irônico: “Xi, lá vem aquele mala de novo”. Isso mesmo, “mala”, sinônimo de chato. E, para surpresa de muitos, quase sempre o “mala” tinha ótimas informações.

Mas, além de informar, intermediar, sugerir, o papel das agências de comunicação vai além, muito além disso. São verdadeiros laboratórios de jornalismo, pois geralmente absorvem o estagiário ou a mão-de-obra recém-formada nas faculdades e que, cheia de gás, está ávida para colocar em prática seu aprendizado. Só falta a experiência. E na agência aprendem a ter contato com as fontes/clientes e com os veículos/destinos. Aos poucos vão moldando seu jeito de trabalhar, superando dificuldades e preparando-se, quem sabe no futuro, fazer seu ingresso no jornalismo diário.

No aspecto da qualidade jornalística, as agências também evoluíram. Não são mais apenas distribuidoras de releases básicos, textos padronizados, com poucas informações interessantes, como ocorria duas décadas atrás. A qualidade editorial e o nível das notícias melhoraram muito, claro, sempre respeitando o que o cliente deseja ou limita que seja divulgado. Sou testemunha de vários ótimos profissionais que começaram suas carreiras em agências de comunicação, preparando releases, divulgando eventos, cobrindo feiras e depois, ao ingressarem no jornalismo “convencional” comprovaram que o aprendizado foi uma experiência bem-sucedida.

Por isso, colegas e senhores jornalistas de todos os matizes e tamanhos, mais respeito e valorização com o trabalho das agências de comunicação. Afinal, cada um no seu quadrado, pois há espaço para todos, principalmente para os competentes.

Autor

Julio Sortica

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